As eleições gerais de 2026 têm 406 candidatos que se autodeclararam LGBTQIA+, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) extraídos na manhã desta terça-feira (18). O número corresponde a aproximadamente 2% dos 20.575 candidatos registrados para o pleito.
Esta é a primeira eleição geral em que a Justiça Eleitoral inclui a orientação sexual entre as informações solicitadas no registro de candidatura. Dos candidatos registrados, 11.334 informaram sua orientação sexual, enquanto outros 9.241, ou 45%, optaram por não responder. Entre os que declararam, 10.928 se identificaram como heterossexuais, 150 como bissexuais, 134 como gays, 86 como lésbicas, 26 como pansexuais e 10 como assexuais.
Apesar de representar uma parcela menor que a estimativa de 12% da população brasileira que se identifica como LGBTQIA+, segundo estudo da USP e da Unesco baseado em dados do IBGE, a inclusão da informação foi considerada um avanço por entidades que acompanham a participação política da população LGBT+. Para Gui Mohallem, presidente da organização Vote LGBT, o fato de centenas de candidatos assumirem oficialmente suas identidades no registro eleitoral representa uma mudança em relação a eleições anteriores.
Os dados também mostram que as candidaturas de pessoas que declararam orientação sexual não heterossexual estão concentradas principalmente nas disputas proporcionais. Entre os 150 candidatos bissexuais, 73 concorrem a deputado estadual e 59 a deputado federal. Já entre os 134 candidatos gays, 77 disputam uma vaga de deputado estadual e 47 de deputado federal. Entre os dez candidatos que se declararam assexuais, cinco concorrem a deputado estadual e cinco a deputado federal.
No recorte partidário, PT e PSOL aparecem entre as siglas com maior número de candidaturas gays, lésbicas e bissexuais. O PT reúne 40 candidatos gays ou lésbicas, enquanto o PSOL soma 39. Entre os candidatos gays, o PSOL tem 32 nomes, e entre as lésbicas o PT reúne 19. Já entre os bissexuais, o PSOL lidera com 51 candidaturas, seguido pelo PT, com 27, pela UP, com 20, e pelo PDT, com 13.
O registro da orientação sexual, no entanto, não significa que a candidatura esteja definitivamente apta. Os pedidos ainda passam pela análise da Justiça Eleitoral e podem ser contestados ou gerar recursos. Pelo calendário eleitoral, os registros devem ser julgados até 14 de setembro, enquanto o primeiro turno das eleições acontece em 4 de outubro e o segundo turno, se necessário, em 25 de outubro.

















