A ficção trata de condições excepcionais de condenados à morte que sobrevivem às suas execuções para engrandecerem seus enredos, seja em comédias, como no caso de ‘Ernest Vai para a Cadeia’; seja no terror, como em ‘Seed: Assassino em Série’ e ‘Shocker: 100.000 Volts de Terror’, em que seus personagens escapam da morte certa por conta de fatores fisiológicos. Mas essas condições, pela própria essência fictícia, são encaradas como absurdos meticulosamente criados nas salas de roteiristas. Contudo, o caso da condenada Christa Pike conversa diretamente com esses casos e, ao mesmo tempo, choca, pois um detalhe de seu quadro clínico pode ter sido decisivo em sua sobrevivência após ter sido submetida a injeções letais.
Documentos judiciais que datam do mês de janeiro acabaram de vir à tona através da revista People e mostram que os advogados da condenada fizeram um alerta sobre a sua contagem de plaquetas estar significativamente elevada, provavelmente devido a uma forma rara de câncer no sangue chamada “doença mieloproliferativa”. A defesa da condenada alertou que a injeção que viria a ser usada na sua execução “muito provavelmente resultaria em dor e sofrimento desnecessários e agravados, além de terror e humilhação”.
A neoplasia mieloproliferativa (NMP) é um distúrbio no qual o corpo produz um excesso de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos ou plaquetas. Pike foi diagnosticada com trombocitose relacionada à NMP, o que significa que ela apresenta uma contagem elevada de plaquetas. Os advogados de Pike afirmaram que essa condição aumenta o risco de edema pulmonar — um acúmulo de líquido nos pulmões.
Anteriormente, temendo complicações, ela havia solicitado que a execução fosse realizada por um pelotão de fuzilamento composto apenas por mulheres, em vez de por injeção letal; contudo, as autoridades do Tennessee negaram o pedido, uma vez que esse método não é legalmente reconhecido no estado.
Christa, de 50 anos, recebeu doses letais de pentobarbital após décadas no corredor da morte, mas sobreviveu — o que levou o governador Bill Lee a suspender todas as execuções planejadas. Ela foi levada às pressas para o hospital, onde chegou a ser considerada com morte cerebral, até que começou a falar e recebeu alta, retornando à prisão no dia 9 de outubro.
Além da doença, os defensores da detenta reforçaram seu histórico de dificuldades em procedimentos que envolviam a coleta de sangue ou a inserção de agulhas. Christa passou dez dias hospitalizada após a execução malsucedida e ficou com os dois braços apresentando inchaço, queimaduras e bolhas. Os advogados apontam que as sequelas se deram por falhas nos acessos intravenosos que fizeram com que o pentobarbital penetrasse nos tecidos de seus braços, em vez de ser injetado diretamente na corrente sanguínea.
Paraíba da Gente com informações Globo












