Desde 2018, apenas Amazonas, Amapá, Minas Gerais e Tocantins alternaram entre o PT e o bolsonarismo nas eleições para presidente. Nas outras 23 unidades da Federação, o mesmo campo terminou à frente nos cinco turnos disputados no período: os dois de 2018, os dois de 2022 e o primeiro de 2026.
A comparação considera, em cada turno, apenas o desempenho do candidato do PT (Fernando Haddad em 2018 e Luiz Inácio Lula da Silva em 2022 e 2026) e o do candidato do bolsonarismo (Jair Bolsonaro em 2018 e 2022 e Flávio Bolsonaro em 2026), sem levar em conta os demais concorrentes.
Nos Estados Unidos, estados que mudam de lado de uma eleição para outra são chamados de swing states, ou estados-pêndulo. Lá, eles costumam decidir a disputa, porque o presidente é escolhido por um colégio eleitoral e, na maioria dos estados, quem vence leva todos os delegados.
No Brasil, onde o que conta é a soma dos votos no país inteiro, a expressão é usada para identificar os eleitorados menos fiéis a um dos lados.
Estados fiéis
O PT ficou à frente nos cinco turnos em dez estados, os nove da região Nordeste e o Pará, no Norte. No Ceará, em 2018, o primeiro colocado no primeiro turno foi o ex-governador local Ciro Gomes (PDT), mas Fernando Haddad terminou em segundo, à frente de Bolsonaro.
O bolsonarismo, por sua vez, venceu em todos os turnos em 13 unidades da Federação. São os três estados do Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná), os três do Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) e o Distrito Federal. No Sudeste, o bolsonarismo também venceu em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. Acre, Rondônia e Roraima, no Norte, também deram votos para um Bolsonaro.
Os quatro que mudaram
Minas Gerais é o caso mais observado, porque, desde 1989, nenhum candidato chegou à Presidência sem vencer no estado. Os mineiros deram as duas vitórias a Jair Bolsonaro nos dois turnos de 2018, as duas a Lula nos dois turnos de 2022 e, no primeiro turno deste ano, colocaram Flávio à frente.
No Amazonas, a mudança foi uma só. Jair Bolsonaro venceu os dois turnos de 2018, e Lula ficou à frente nas três votações seguintes. No 1º turno de 2026, o presidente e atual candidato à reeleição obteve 48,20% dos votos válidos, contra 45,03% de Flávio.
O Amapá trocou de lado dentro da mesma eleição. Depois de duas vitórias de Jair Bolsonaro em 2018, Lula venceu o 1º turno de 2022, mas perdeu no segundo. Neste ano, Lula voltou à frente pela menor diferença do país, com 45,71%, contra 45,67% de Bolsonaro – uma vantagem de apenas 225 votos.
Já Tocantins é o estado mais dinâmico. Jair Bolsonaro venceu no primeiro turno de 2018, e Haddad virou e faturou o segundo turno do mesmo ano. Em 2022, Lula ganhou os dois turnos. No 1º turno de 2026, Flávio terminou na frente, com 50,44% contra 43,42%.
Eleitor no exterior também virou
Os brasileiros que votam fora do país também trocaram de lado. Em 2018, Jair Bolsonaro venceu Haddad com folga nos dois turnos. Lula ficou à frente no primeiro turno de 2022 e, de novo, no primeiro turno deste ano, com 47,57% dos votos válidos, contra 43,49% de Flávio.
Com R7












