Aliados de Flávio Bolsonaro (PL) defendem que o senador não entre na disputa proposta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que os dois candidatos abram seus sigilos bancários, fiscais e telefônicos, mesmo após o petista formalizar o desafio no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No entorno do candidato, a avaliação é que Lula tenta criar um fato político a poucos dias do segundo turno. Interlocutores ligados à campanha recomendam que Flávio não ceda à pressão do adversário nem contribua para prolongar uma discussão considerada de interesse da campanha petista.
A leitura entre esses aliados é que a proposta foi apresentada mais para impressionar os eleitores do que para ser efetivamente concretizada. O grupo considera pouco provável que Lula abra seus próprios sigilos e avalia que uma reação mais contundente de Flávio poderia ajudar o presidente a manter o assunto em evidência nos últimos dias da campanha.
A orientação, ao menos neste primeiro momento, é não tomar nenhuma iniciativa em resposta à cobrança. Isso não significa, porém, que Flávio tenha decidido permanecer em silêncio. Integrantes da campanha do PL não descartam que o candidato volte a comentar o desafio, mas defendem que, caso o faça, mantenha o tom de ironia adotado após o debate da Band, quando questionou a proposta de abertura do sigilo telefônico de Lula sob o argumento de que o presidente nem sequer teria um celular próprio.
Outra possibilidade considerada por aliados é questionar por que o petista só apresentou o desafio agora, às vésperas da eleição.
A estratégia de evitar uma nova discussão sobre os sigilos ocorre em meio à tentativa da campanha de reduzir as provocações e transmitir uma imagem mais equilibrada de Flávio nos últimos dias antes da votação.
Para o debate da Globo, a equipe pretende ampliar o espaço dedicado à apresentação de propostas e orientar o senador a responder mais diretamente às perguntas do adversário, em vez de priorizar ataques. A avaliação é que o confronto representa uma das últimas oportunidades de alcançar eleitores indecisos e que o candidato deve evitar embates capazes de desviar a atenção de suas propostas.
A proposta de abertura dos sigilos foi apresentada inicialmente por Lula durante o debate da Band, no último domingo, em um dos momentos considerados mais favoráveis ao presidente por seus aliados.
Na ocasião, o petista desafiou Flávio a autorizar a divulgação dos dados dos dois candidatos e de seus familiares, sob o argumento de que a medida permitiria aos eleitores avaliar acusações de corrupção.
— Eu vou fazer uma proposta para você para amanhã abrirmos a nossa conta bancária e o nosso sigilo bancário para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão nesse país. Eu abro da minha família e você abre da sua — disse Lula na ocasião.
Após o encontro, Flávio ironizou a iniciativa ao questionar o uso de celulares pelo adversário.
— Fiquei muito feliz com esse desempenho, pude falar de propostas e, obviamente, pude rebater várias mentiras que ele fazia aqui, né? E algumas até chegam a ser engraçadas, né? Ele propõe a abertura, a quebra do sigilo telefônico, quando ele não tem celular — afirmou o senador.
Nesta terça-feira, Lula formalizou a proposta em uma petição apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O presidente autorizou a divulgação de seus sigilos dos últimos oito anos, mas condicionou a medida à abertura dos dados de Flávio, de familiares dos dois candidatos e de empresas com as quais mantenham vínculos societários ou financeiros. A apresentação do documento, porém, não implica a divulgação automática das informações.
Durante um evento de campanha no Maranhão, também nesta terça-feira, Lula voltou a cobrar que Flávio autorizasse a divulgação de seus dados e incluiu na proposta o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso, além de outros familiares do senador.
O Globo











