Inquérito instaurado pela 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Palmas (TO) apura o envolvimento de um empresário de 49 anos, acusado por uma mulher de cometer estelionato amoroso, apropriação indébita e violência patrimonial e psicológica. Eduardo Gabriel Sant Anna e Moura, o “don juan do agro” é investigado por utilizar uma relação afetiva para obter sucessivas vantagens financeiras ilícitas e exercer severa violência psicológica contra sua então noiva.
A apuração policial, instaurada sob o respaldo da Lei Maria da Penha, reúne um vasto acervo de documentos, extratos bancários e depoimentos que detalham a derrocada financeira de uma comerciante de 35 anos, podendo chegar a quase R$ 2 milhões, após a falsa promessa de parcerias comerciais e investimentos num futuro em comum, desse já com decisão judicial do ano passado para pagamento de mais de 833 mil. O relacionamento entre a comerciante e o suspeito teve início no começo de 2023 e culminou em noivado no ano seguinte.
Apresentando-se como um homem de negócios bem-sucedido do setor produtivo e de família tradicional na cidade de Goiânia, mãe arquiteta renomada, pai advogado e empresário tradicional rotariano, donos de vinícola premiada, o investigado conquistou a confiança da vítima e de seus familiares até passar a intervir diretamente em sua vida financeira. A estratégia para a captação do patrimônio da mulher começou com a transferência de mercadorias de sua empresa de distribuição para um galpão em Goiânia. A coluna tenta localizar a defesa de Eduardo Moura.
Empréstimos de R$ 200 mil
Sob o pretexto de apoiar a expansão dos negócios, o suspeito reteve e vendeu mais de três mil e setecentos produtos pertencentes à noiva, gerando um prejuízo direto estimado em R$ 800 mil (correspondentes ao lote de 3.738 unidades avaliadas em R$ 120 cada, além de outro lote de 500 unidades a R$ 150 cada). Quando a comerciante enviou um caminhão de carga à capital goiana para reaver os produtos, o homem ocultou-se por dois dias e, posteriormente, admitiu ter comercializado os bens sem autorização para cobrir compromissos financeiros pessoais.
Conforme as apurações policiais, a apropriação dos produtos foi apenas a primeira etapa da espiral de sangria financeira. Com o passar dos meses, o acusado passou a pressionar a companheira para a realização de sucessivos empréstimos em dinheiro vivo e transferências bancárias diretas que ultrapassaram a quantia de R$ 200 mil.
Ele também convenceu a mulher a transferir a propriedade do veículo, custeado por ela, para o nome da empresa de sua própria família.
Loja de vinhos fake
Eduardo teria convencido a comunicante a investir em uma loja de vinhos, supostamente de sua propriedade, sem que qualquer retorno financeiro tivesse sido apresentado. Referente a esse investimento, a vítima possui nota promissória emitida e assinadas pelo suspeito que comprovam os repasses e valores devidos: de R$ 57,3 mil, com vencimento em 1º de janeiro do ano passado.
Além de notas promissórias emitidas e assinadas pelo suspeito, uma no montante de R$ 218 mil, com vencimento em 1º de março de 20204, e uma terceira de R$ 485,9 mil, com vencimento estipulado para 7 de março do ano passado, todas formalizando os investimentos e dívidas assumidas que jamais foram quitados. Somadas e formalizadas em processo de execução de Notas Promissórias ultrapassam R$ 833 mil com decisão judicial para pagamento, mas até agora, com mais de ano de processo o réu não foi citado.
A par das perdas patrimoniais que somam entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão, juntadas em outro processo judicial que corre em segredo de justica, em as investigações apontam que a vítima foi submetida a um quadro contínuo de manipulação, humilhações e controle ostensivo por parte do investigado.
Mensagens de texto registradas em ata notarial e autos policiais mostram que o acusado utilizava rotineiramente termos ofensivos para desqualificar a noiva, além de monitorar seus deslocamentos em tempo real por meio de aplicativos de rastreamento instalados em seu telefone celular. Além de admitir veementemente a soma dos débitos contidos em notas promissórias e diz ter bens para quitar, a audácia era tão grande que o mesmo disse até que o áudio serviria de prova, e serviu.
Crise de pânico
Testemunhas ouvidas pela autoridade policial confirmaram que a comerciante desenvolveu crises severas de ansiedade e pânico, passando a necessitar de acompanhamento psiquiátrico e medicamentos de uso controlado em decorrência do desgaste emocional.
Diante da gravidade dos fatos e do risco à integridade da vítima, a Polícia Civil representou pela concessão de medidas protetivas de urgência junto ao Juizado de Combate à Violência Doméstica Contra a Mulher de Palmas.
As ordens judiciais determinaram o afastamento imediato do suspeito do domicílio da comerciante e a proibição absoluta de aproximação e de qualquer tipo de contato, seja por ligações, redes sociais ou interposta pessoa. As autoridades policiais prosseguem com as diligências para a realização de exames periciais psicossociais, levantamento patrimonial e o interrogatório do investigado pelos crimes de apropriação indébita, violência psicológica e injúria.
Paraíba da Gente com informações Metrópoles

















