Quem acompanhou o futebol paraibano nos anos 90 certamente guarda na memória uma Socremo que enchia os olhos e despertava orgulho na torcida monteirense. Naquela época, enfrentar o Gavião do Cariri não era tarefa das mais agradáveis. A equipe entrava em campo com personalidade, impunha respeito e provocava aquele conhecido frio na barriga dos adversários.
Mas o tempo passou, o futebol mudou e a Socremo de hoje parece distante daquele DNA que marcou sua história.
Na atual edição da Segunda Divisão do Campeonato Paraibano, o Gavião do Cariri ainda não conseguiu decolar. Em cinco partidas disputadas, a equipe acumula quatro empates, uma derrota e nenhuma vitória. Com apenas quatro pontos conquistados, ocupa a incômoda nona colocação, a vice-lanterna da competição.
O retrospecto acende o sinal de alerta. Afinal, uma equipe que conta com jogadores considerados de qualidade, não é totalmente desprovida de investimento e carrega uma camisa de tradição não pode se contentar apenas em evitar derrotas. No futebol, empatar pode até representar um ponto conquistado, mas, quando os empates se acumulam e as vitórias não aparecem, a situação começa a preocupar.
E a pergunta que ecoa nas arquibancadas do Feitosão é inevitável: o que está faltando para o Gavião voltar a vencer?
Dentro de campo, porém, a questão que mais inquieta a torcida vai além dos números: por que uma equipe que conta com atletas considerados de qualidade ainda não conseguiu transformar seu potencial em resultados?
O elenco possui jogadores com experiência, a diretoria vem trabalhando para fortalecer o grupo, mas o futebol apresentado até aqui ainda não corresponde às expectativas de quem conhece a tradição do clube.
E no futebol existe uma máxima que não costuma perdoar: nome não ganha jogo, camisa não entra em campo sozinha e qualidade individual precisa se transformar em desempenho coletivo.
Reforços chegam para tentar mudar a história
Diante desse cenário, a diretoria anunciou, através das redes sociais, a contratação de dois atacantes para fortalecer o setor ofensivo.
Sebastião Douglas, com passagens pelo Nacional de Patos e pelo Ypiranga de Pernambuco, chega acompanhado de Guilherme Henrique, que já defendeu o Esporte de Patos.
A expectativa é que os novos nomes possam acrescentar poder de decisão a uma equipe que precisa encontrar o caminho das vitórias.
Mas a chegada dos reforços também abre espaço para questionamentos. O problema está na falta de peças? Na organização tática? Na dificuldade de transformar oportunidades em gols? Ou falta ao conjunto encontrar o entrosamento necessário para apresentar um futebol mais convincente?
São perguntas que somente o trabalho dentro das quatro linhas poderá responder.
Líder invicta será o próximo desafio
E o próximo compromisso não poderia ser mais desafiador.
Nesta quinta-feira, às 19h30, a Socremo recebe a Desportiva Guarabira, no Estádio O Feitosão, em Monteiro, para sua quarta e penúltima apresentação diante da torcida nesta fase da competição.
O adversário chega embalado pela liderança, com 13 pontos conquistados em cinco partidas. São quatro vitórias, um empate e nenhuma derrota.
De um lado, uma equipe que ainda procura sua primeira vitória. Do outro, um adversário que segue invicto e apresenta uma campanha consistente.
É o tipo de confronto que pode representar uma oportunidade para o Gavião demonstrar capacidade de reação.
Jogando em casa, diante de sua torcida, a Socremo terá pela frente mais do que um compromisso de tabela. Terá a oportunidade de mostrar que ainda existe força para mudar os rumos de sua campanha.
O Gavião precisa voltar a voar
A torcida monteirense conhece o peso dessa camisa. Sabe o que a Socremo já representou para o futebol regional e guarda na memória uma época em que o Gavião entrava em campo para competir de igual para igual, independentemente do adversário.
É natural que as comparações apareçam. O passado não entra em campo, mas estabelece uma referência para quem acompanha o clube.
A diretoria movimenta o mercado, os reforços chegam e o elenco ganha novas opções. Agora, o desafio é transformar investimento e expectativa em futebol competitivo.
Porque, para quem carrega a história da Socremo, não basta apenas evitar derrotas. É preciso buscar vitórias, apresentar evolução e recuperar a confiança de quem está nas arquibancadas.
O Gavião do Cariri ainda tem asas. A pergunta que a torcida faz é quando voltará a voar como nos velhos tempos.
PARAÍBA DA GENTE

















