O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) pediu a prisão preventiva e um mandado de busca e apreensão contra George Marques, funcionário do Palácio do Planalto, por causa da polêmica de Nossa Senhora Aparecida. O senador acusa o jornalista de disseminar fake news para prejudicá-lo.
O episódio teve início na noite dessa quinta-feira (24/9), quando passaram a circular na internet publicações afirmando que o senador Flávio Bolsonaro estaria por trás de um plano para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
George Marques é coordenador-geral de Estratégia e Informação da Presidência. A denúncia do candidato do PL menciona repostagens do funcionário do Planalto em redes sociais.
Segundo a campanha, o conteúdo dizia: “Parem de divulgar a retratação. Deixem o assunto rolar. Continuem compartilhando que Nossa Senhora foi atacada, precisa chegar no interior do Nordeste, no interior do Norte”.
O jornalista apagou a republicação de outro usuário. A notícia-crime foi encaminhada ao Ministério Público Eleitoral (MPE) com a alegação de que “repostar é divulgar”.
“Sabendo que uma mentira eleitoral havia sido desmentida em rede nacional e declarada inverídica pelo Tribunal Superior Eleitoral, difundiu a seus 211.800 seguidores nas redes sociais, com todas as letras, a ordem para que a retratação deixasse de circular para que a mentira continuasse sendo propagada”, diz a defesa de Flávio.
Em nota, o Planalto disse que o candidato distorce os fatos e afirma que a manifestação ocorreu em caráter estritamente pessoal.
“É importante esclarecer que, ao atribuir ao Governo Federal a responsabilidade por uma republicação realizada pelo senhor George Marques, o candidato distorce os fatos e ignora deliberadamente que a manifestação ocorreu em caráter estritamente pessoal, por meio de perfil particular, fora do horário de expediente e com a utilização de equipamento próprio”, diz o Palácio do Planalto.
O que aconteceu
A origem do boato está em um comentário exibido mais cedo naquele dia, durante um programa de uma emissora de TV que analisava a disputa eleitoral, o voto feminino e o comportamento do eleitorado religioso.
Na ocasião, foi mencionada uma suposta reação de setores católicos a uma parcela de evangélicos, que estariam articulando um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
A análise também apontava que uma eventual reação entre católicos poderia ter efeito eleitoral em favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição contra Flávio Bolsonaro.
Na fala original, porém, não houve atribuição do suposto projeto a Flávio. Depois da transmissão, o trecho passou a circular nas redes sociais acompanhado da afirmação de que o candidato do PL pretendia retirar ou apoiava a retirada do título de Padroeira do Brasil.
O canal responsável pela veiculação publicou uma correção e pediu desculpas na madrugada de sexta-feira (25/9), reconhecendo o erro na forma como a informação havia sido apresentada.
No entanto, o conteúdo que viralizou recuperou um projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli (MDB-MT). A proposta previa alterar a legislação sobre o feriado de 12 de outubro e sugeria substituir a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
Victório Galli integrou o governo de Jair Bolsonaro como assessor especial da Presidência da República, em 2019.
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