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Quando a política vira intolerância: pensar diferente não pode transformar ninguém em inimigo

Polarização ultrapassa as urnas, invade amizades e relações familiares e acende um alerta: democracia também significa respeitar o direito de escolha de quem pensa diferente

paraibadagente por paraibadagente
21/09/2026
in Destaques, Notícias
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Quando a política vira intolerância: pensar diferente não pode transformar ninguém em inimigo
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A política sempre foi terreno de divergências. Existem ideias diferentes, projetos diferentes, candidatos diferentes. E é justamente por isso que existe eleição: para que cada cidadão possa fazer sua escolha.

O problema começa quando a discussão política sai do campo das ideias e entra nas relações pessoais. Em tempos de forte polarização entre esquerda e direita, para algumas pessoas já não basta escolher um candidato. Parece que é preciso também condenar quem fez uma escolha diferente.

Amizades são abaladas, famílias discutem, pessoas deixam de se falar e as redes sociais se transformam, muitas vezes, em verdadeiros campos de batalha. Quem vota em determinado candidato passa a ser automaticamente rotulado, atacado ou tratado como se sua escolha política definisse todo o seu caráter.

E é justamente aí que precisamos separar as coisas.

Cobrar políticos é legítimo. Questionar governos é necessário. Discordar de propostas faz parte da democracia. O que não contribui para o debate é transformar o eleitor que pensa diferente em inimigo.

Respeitar não significa concordar. Significa compreender que o mesmo direito que uma pessoa reivindica para escolher seu candidato também pertence ao outro.

Há ainda uma contradição que merece reflexão: muitas vezes, políticos que hoje estão em lados opostos amanhã podem estar juntos, fazendo alianças, mudando de partido ou dividindo o mesmo palanque. Enquanto isso, pessoas comuns rompem amizades de décadas e até relações familiares por causa deles.

No final, políticos passam, eleições terminam e mandatos acabam. As relações ficam — ou pelo menos deveriam ficar.

Uma sociedade verdadeiramente democrática não é aquela em que todos pensam igual. É aquela em que pessoas que pensam completamente diferente conseguem sentar à mesma mesa, conversar, discordar e continuar se respeitando.

Porque democracia não é apenas defender o nosso direito de escolher. É ter maturidade suficiente para defender também o direito do outro de fazer uma escolha diferente da nossa.

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