A interferência no processo eleitoral de outro país pode se dar a partir da combinação de alguns fatores, como pressão diplomática, medidas econômicas, campanhas de desinformação e difusão de narrativas. Essa é a avaliação do professor de relações internacionais da ESPM, Gunther Rudzit, ao analisar a possibilidade de eventuais ingerências externas nas eleições de outubro. “Isso pode incluir sanções individuais, restrições comerciais, pressão de organismos internacionais e influência sobre a opinião pública por meio das redes sociais”, destaca Rudzit.
A confusão provocada pelas declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, durante a convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto antecipou o debate sobre a internacionalização da disputa eleitoral deste ano. No evento, Milei classificou os socialistas como “delinquentes”, chamou Lula de “ladrão e presidiário” e criticou o STF por não autorizar sua visita a Jair Bolsonaro. Além disso, atacou o ministro Alexandre de Moraes.
Outro fator que alimenta a possibilidade de interferência externa nas eleições são os questionamentos feitos por autoridades brasileiras e americanas a respeito da confiança do sistema eletrônico de votação – tema que esteve presente na campanha presidencial de 2022 e acabou, em certa medida, culminando nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, promovidos por apoiadores de Bolsonaro que não aceitaram o resultado das eleições daquele ano, quando o ex-presidente foi derrotado por Lula.
Há poucos dias, o filho de Bolsonaro incluiu esse tema em seu discurso. Em paralelo, os EUA sinalizaram que tinham a intenção de enviar uma comitiva ao Brasil para verificar o sistema eletrônico.
“Se essa missão dos EUA acontecer, os efeitos seriam sobretudo políticos. Dependendo das conclusões, isso poderia influenciar na percepção internacional sobre a qualidade do processo eleitoral brasileiro”, afirmou o professor da ESPM.
Para Rudzit, uma ofensiva desse tipo poderia gerar consequências diplomáticas e políticos, afetando, por exemplo, a confiança de investidores e a imagem internacional do país.
O governo de Donald Trump, que já impôs dois tarifaços aos produtos brasileiros, decidiu na semana passada prorrogar por mais um ano o chamado estado de emergência nacional, instrumento que funciona como uma espécie de carta branca para que o republicano adote medidas excepcionais contra qualquer nação para proteger interesses americanos.
O Palácio do Planalto vê esse dispositivo como um passaporte que pode ser utilizado para inúmeros fins, inclusive para justificar medidas que, indiretamente, podem refletir nas eleições de outubro.
Com Veja

















