O apoio declarado pelo pastor José Carlos de Lima, presidente da Assembleia de Deus na Paraíba, ao pré-candidato ao Senado Nabor Wanderley (Republicanos), repercutiu no meio evangélico e provocou reações de lideranças religiosas em diferentes regiões do estado.
A aproximação ganhou destaque porque Nabor Wanderley, ex-prefeito de Patos e pré-candidato ao Senado, integra a base governista na Paraíba, é aliado do PSB e já declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O cenário contrasta com o posicionamento predominante de boa parte do segmento evangélico conservador, que historicamente mantém resistência às pautas defendidas pela esquerda e ao próprio governo federal.
O apoio institucional foi manifestado durante agendas e encontros entre o pastor José Carlos e Nabor Wanderley. Na ocasião, o presidente da Assembleia de Deus destacou o compromisso do pré-candidato com pautas relacionadas à família, à liberdade religiosa e às ações sociais, defendendo a aproximação entre lideranças cristãs e representantes políticos.
A manifestação, no entanto, não foi recebida de forma unânime entre os fiéis e pastores da denominação.
Um dos posicionamentos públicos veio do pastor monteirense Antônio Pereira, conhecido como Pingo. Ao comentar uma publicação contendo o vídeo em que José Carlos declara apoio a Nabor, o religioso escreveu:
“O principal pré-candidato ao Senado é Nabor Wanderley (Republicanos), que renunciou ao cargo de prefeito para disputar o pleito. Está alinhado à esquerda, integrando a base governista estadual e declarando apoio à reeleição de Lula (PT) e do projeto liderado pelo PSB.”
Em outro comentário, o pastor resumiu sua preocupação em uma frase que rapidamente repercutiu entre seguidores:
“Deus, guarda a tua igreja. MISERICÓRDIA.”
As declarações evidenciam uma discussão que cresce dentro do segmento evangélico paraibano: até que ponto o relacionamento institucional entre igrejas e agentes políticos deve prevalecer sobre as diferenças ideológicas.
Embora parte das lideranças defenda o diálogo com representantes de diferentes correntes políticas, outro grupo entende que o apoio público a candidatos alinhados à esquerda pode gerar desconforto entre os fiéis, especialmente diante do histórico de posicionamentos conservadores das igrejas evangélicas em temas como família, liberdade religiosa e costumes.
Por outro lado, o pastor José Carlos de Lima tem defendido a participação ativa da igreja no processo político e a necessidade de eleger representantes comprometidos com valores cristãos, independentemente das composições partidárias.
A repercussão do episódio demonstra que o eleitorado evangélico, frequentemente tratado como um bloco homogêneo, apresenta diferentes correntes de pensamento e que as eleições de 2026 prometem ampliar o debate sobre o papel das lideranças religiosas na definição de apoios políticos e na orientação de seus fiéis.
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