O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema, comentou o cenário da corrida eleitoral e suas críticas recentes a Flávio Bolsonaro (PL) pelo envolvimento do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
“Não tiro nenhuma vírgula do que eu disse. Quem se aproxima de bandido cai muito no meu conceito. Fiquei extremamente indignado”, disse ele, que acrescentou que considera esse assunto encerrado. Zema, porém, fez a ressalva que “quem estiver contra o PT no segundo turno terá meu apoio”. “Porque o PT destruiu o meu estado, está destruindo o Brasil”.
O presidenciável do Novo comentou ainda seu encontro com Flávio e Ronaldo Caiado (PSD) em uma feira em Minas Gerais e frisou que os três estarão unidos contra o PT: “Apesar dessas nossas divergências estaremos todos juntos no segundo turno contra o PT. E é bom que a direita tenha mais opções”.
A conversa com Flávio abordou o caso Vorcaro?
Questionado sobre o encontro com o senador, Zema afirmou que o episódio envolvendo Vorcaro não foi tratado. Segundo ele, a conversa durou apenas alguns minutos. O ex-governador relatou que o foco do diálogo foi a necessidade de unidade entre os nomes da direita em uma eventual disputa contra o PT na etapa decisiva da eleição presidencial.
Por que Zema atribui o tarifaço à política externa do governo Lula?
Ao comentar a nova rodada de tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, Zema rejeitou a tese de que a viagem de Flávio ao país tenha sido determinante para a decisão americana. Para ele, a origem do problema está na condução da política externa brasileira. “Eu atribuo o tarifaço à incapacidade do nosso Ministério de Relações Exteriores em lidar bem com os países do Ocidente“, afirmou.
Segundo Zema, o governo Lula adotou posições que contribuíram para o desgaste das relações com Washington. O ex-governador citou críticas ao dólar, a aproximação com integrantes dos BRICS e o relacionamento com governos que classificou como antiamericanos. Na avaliação do pré-candidato, o distanciamento do Brasil em relação aos Estados Unidos é resultado de escolhas feitas pelo atual governo e não de ações promovidas por integrantes da oposição. “O presidente Lula, através de várias ações, tem deixado muito claro o seu antiamericanismo”, criticou.
O episódio pode prejudicar Flávio Bolsonaro eleitoralmente?
Para Zema, ainda é cedo para medir os impactos eleitorais da crise. O ex-governador afirmou que existe uma disputa de narrativas em andamento e que a opinião pública permanece dividida sobre as causas do conflito comercial.
Ele voltou a defender a tese de que os problemas diplomáticos são consequência da política externa adotada pelo governo federal e reiterou suas críticas ao protagonismo brasileiro dentro dos BRICS. “Quem vai sofrer é a população”, afirmou ao comentar os possíveis efeitos econômicos das tarifas.
O caso Vorcaro abre espaço para outros nomes da direita?
Zema acredita que as revelações envolvendo Daniel Vorcaro podem provocar desgaste político em diversos setores. Sem citar apenas Flávio Bolsonaro, ele afirmou que qualquer figura pública que tenha mantido proximidade com o banqueiro tende a enfrentar perda de credibilidade. “Quem se aproximou desse bandido com certeza vai estar perdendo credibilidade, perdendo pontos”, disse.
O ex-governador também afirmou que novas informações sobre o caso ainda podem surgir nos próximos meses. Segundo ele, o episódio expõe fragilidades das instituições e da classe política brasileira.
Zema admite compor chapa com Caiado ou Flávio Bolsonaro?
Ao ser questionado sobre uma eventual composição eleitoral com outros nomes da direita, Zema evitou tratar de alianças e afirmou que pretende levar sua candidatura até o fim. Ele destacou sua trajetória empresarial antes da entrada na política e argumentou que sua experiência o diferencia dos demais pré-candidatos do campo conservador. “Sou o único que durante toda a vida foi pagador de impostos”, afirmou.
Segundo Zema, sua passagem pelo governo de Minas Gerais demonstrou que é possível adotar uma gestão voltada ao crescimento econômico, à atração de investimentos e à geração de empregos.
O ex-governador teme consequências após críticas ao STF?
Na entrevista, Zema comentou também a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República após a divulgação de uma série satírica envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal. O pré-candidato minimizou os riscos políticos e jurídicos do episódio e afirmou que continuará fazendo críticas ao que considera excessos cometidos por integrantes da Corte. “Eu não tenho medo de prisão, não sou criminoso, não fiz nada de errado”, declarou.
Zema também afirmou que seguirá criticando decisões do Supremo, a política econômica do governo Lula e a atuação federal na área da segurança pública. Segundo ele, sua postura não será alterada por conveniências eleitorais. “Vou continuar falando o que está errado”, afirmou.
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