A gordura no fígado, chamada de esteatose hepática, costuma evoluir de forma silenciosa e, na maioria das vezes, não provoca dor ou sintomas claros no início. Por isso, o diagnóstico geralmente acontece em exames de rotina.
Ainda assim, médicos explicam que algumas mudanças visíveis na pele podem funcionar como sinais indiretos de que o metabolismo não está bem, o que aumenta o risco de acúmulo de gordura no fígado.
O endocrinologista Renato Zilli faz um esclarecimento importante: “Não existe uma relação direta entre a pele e a gordura no fígado. A pele não diagnostica esteatose hepática”. Segundo ele, o que ocorre é que certas alterações cutâneas podem indicar resistência à insulina — uma condição frequentemente associada à gordura no fígado.
Sinais na pele que merecem atenção
- Manchas escuras em dobras do corpo, como pescoço, axilas e virilha, geralmente relacionadas à resistência à insulina.
- Aumento de pequenos “sinais” na pele (acrocórdons), também comuns em pessoas com alterações metabólicas.
- Amarelamento da pele e dos olhos (icterícia), causado pelo acúmulo de bilirrubina no organismo e mais frequente em doenças hepáticas mais avançadas.
- Coceira persistente sem causa aparente, conhecida como prurido hepático, que pode ocorrer quando substâncias que o fígado deveria eliminar se acumulam no sangue.
Fígado pode afetar o corpo todo
Do ponto de vista dermatológico, nem toda pessoa com gordura no fígado apresenta alterações na pele. Segundo o dermatologista Reinaldo Tovo, do Hospital Sírio-Libanês, alterações como a icterícia costumam surgir quando há um comprometimento maior do fígado, como inflamações, obstruções das vias biliares, hepatites, cirrose ou até câncer hepático.
“Nessas situações, o fígado não consegue metabolizar ou eliminar adequadamente a bilirrubina, que se acumula no organismo”, explica.
Diante da suspeita de gordura no fígado, o endocrinologista Zilli explica que a investigação inclui exames de sangue para avaliar enzimas hepáticas, colesterol, triglicerídeos, glicemia, insulina e hemoglobina glicada.
“A ultrassonografia abdominal é um exame simples e muito útil para detectar a esteatose”, afirma. Em alguns casos, exames como a elastografia hepática ajudam a identificar inflamação ou fibrose.
Pacientes com sobrepeso, gordura abdominal, histórico familiar de diabetes, colesterol alto ou pressão elevada merecem atenção especial, mesmo que se sintam bem.
“Pessoas magras também não estão imunes, principalmente se têm resistência à insulina ou um estilo de vida muito sedentário”, alerta o endocrinologista.
Alterações na pele não fecham o diagnóstico de gordura no fígado, mas podem ser um aviso precoce de que algo não vai bem no metabolismo. Segundo os especialistas, identificar esses sinais e procurar avaliação médica ajuda a investigar a causa e evita que uma doença silenciosa evolua para quadros mais graves.
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