O cantor, compositor e pianista Benito Di Paula morreu aos 84 anos, na noite de domingo (18), em São Paulo. Ele estava internado no Hospital 9 de Julho e morreu em decorrência de complicações de um câncer de próstata, doença que tratava havia cerca de um ano.
A trajetória do artista também tem ligação com João Pessoa. Benito morou durante dez anos no bairro de Jaguaribe e voltou à capital paraibana em 22 de novembro de 2019, quando apresentou o show da turnê de despedida dos palcos, intitulada Fim de Papo.
A apresentação aconteceu no Teatro A Pedra do Reino e reuniu músicas de diferentes momentos de sua carreira, que se aproximava dos 50 anos. Na época, o cantor explicou que o nome da turnê representava o encerramento de um longo período de contato com o público, mas não significava o fim definitivo de suas apresentações.
“Pensei neste nome, ‘Fim de Papo’, por ser de fato o fim de um longo e delicioso papo que venho tendo com meus fãs, de forma ininterrupta, há quase 50 anos”, afirmou Benito na divulgação do show.
O artista também planejava continuar fazendo apresentações pontuais depois da turnê. “Após a turnê, um novo papo começa. Um papo mais calmo em shows pontuais e alguns projetos que quero colocar em prática já há algum tempo”, disse.
Show de despedida em João Pessoa foi adiado em 2019
A apresentação de Benito Di Paula na capital paraibana estava inicialmente marcada para 5 de outubro de 2019, mas foi adiada após a morte de seu filho caçula, André Vancellote Vellozo, de 36 anos, em setembro daquele ano.
Abalado com a perda, o cantor decidiu suspender os compromissos previstos para outubro. O show em João Pessoa foi remarcado para novembro, quando ele retomou a agenda da turnê Fim de Papo.
Para a apresentação, Benito preparou novas versões de sucessos de sua carreira, com repertório que incluía músicas até o álbum Essa Felicidade é Nossa, lançado em 2016.
Quem foi Benito Di Paula?
Benito Di Paula nasceu com o nome Uday Vellozo em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, e foi criado na capital fluminense. Ele ganhou projeção nacional na década de 1970, quando desenvolveu uma maneira própria de tocar samba, combinando o ritmo com o piano e arranjos românticos.
O artista não se identificava como um sambista da mesma tradição de Martinho da Vila e Paulinho da Viola, que também fizeram sucesso naquele período. Benito preferia se definir como “sambeiro” e “pianeiro”, expressões que usava para se referir ao próprio estilo musical.
A principal característica de seu trabalho estava na forma de tocar piano. Em vez de usar o instrumento apenas como acompanhamento, ele explorava as teclas para criar uma batucada e reforçar o ritmo das canções.
Essa combinação de samba, piano e teclados ajudou a estabelecer sua identidade musical. A sonoridade também antecipou elementos que se tornariam comuns no pagode paulista dos anos 1990, em arranjos de grupos como Raça Negra.
Músicas de Benito Di Paula marcaram a década de 1970
Entre os principais sucessos do cantor estão Retalhos de Cetim, Charlie Brown, Mulher Brasileira, Do Jeito Que a Vida Quer, Ah, Como Eu Amei e Amigo do Sol, Amigo da Lua.
Ao longo da carreira, Benito Di Paula vendeu mais de 50 milhões de discos em todo o mundo, sendo quatro milhões na Europa.
Seu trabalho também o levou a se apresentar em países como México, Japão, Estados Unidos, Angola e Argentina.
Com Jornal da Paraíba












