A escolha de uma graduação é uma das decisões que mais geram dúvidas entre estudantes que estão se preparando para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Além da identificação com uma área de conhecimento, fatores como mercado de trabalho, retorno financeiro e influência familiar podem pesar na definição do futuro profissional.
Segundo a psicopedagoga Maysa Isabelle, o primeiro passo para quem ainda não sabe qual curso escolher é investir no autoconhecimento. Identificar interesses, reconhecer habilidades e pesquisar as possibilidades de atuação profissional são medidas que podem ajudar os candidatos a tomar uma decisão mais consciente.
A especialista orienta que os estudantes pesquisem as grades curriculares das graduações, conheçam as atividades desenvolvidas pelos profissionais de cada área e busquem informações sobre as oportunidades disponíveis no mercado de trabalho.
Outra alternativa é recorrer a testes vocacionais, preferencialmente acompanhados por profissionais da psicologia, além de participar de projetos de orientação profissional oferecidos pelas escolas.
E se escolher o curso errado?
O receio de se arrepender da escolha também é comum entre os estudantes. No entanto, a decisão sobre uma graduação não precisa ser definitiva, já que novos interesses e objetivos podem surgir durante a formação acadêmica.
“É importante que o estudante compreenda que recalcular a rota faz parte do processo de construção profissional. Conhecer melhor uma área durante a graduação pode ajudá-lo a perceber novos interesses”, explica Maysa.
Dependendo das regras da instituição de ensino, o universitário pode solicitar uma mudança de curso e, em determinadas situações, aproveitar disciplinas já cursadas.
Escolher pelo dinheiro ou pela afinidade?
A expectativa de estabilidade financeira também influencia a escolha profissional. Apesar disso, a psicopedagoga destaca que nenhuma graduação garante, por si só, sucesso ou segurança no mercado de trabalho.
A recomendação é buscar um equilíbrio entre interesses pessoais, habilidades, perspectivas salariais e oportunidades de emprego. Dessa forma, a escolha não fica limitada apenas à remuneração ou à afinidade com determinada profissão.
Como lidar com a pressão familiar?
A opinião dos pais e responsáveis pode ter influência na decisão, principalmente quando existem expectativas relacionadas à estabilidade financeira e ao futuro dos filhos.
Para Maysa, o diálogo familiar é fundamental, mas os interesses e as habilidades dos estudantes também precisam ser considerados.
“Os pais devem estar abertos a conhecer as diferentes graduações oferecidas e compreender que hoje temos uma grande amplitude de cursos e diversas áreas de atuação profissional”, afirma.
A orientação é que as famílias participem do processo de pesquisa e conheçam as possibilidades de formação, sem transformar suas expectativas em pressão sobre os jovens.
É preciso escolher a graduação antes do Enem?
De acordo com Maysa Isabelle, não é necessário definir o curso antes de realizar o Enem. Após a divulgação dos resultados, os candidatos ainda poderão analisar suas notas e avaliar as possibilidades de ingresso no ensino superior.
Entre as alternativas estão o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), cada um com critérios específicos de participação.
Para os estudantes que permanecem indecisos, a recomendação é continuar a preparação para o exame e utilizar esse período para pesquisar diferentes carreiras.
A escolha profissional, segundo a especialista, deve ser compreendida como um processo que envolve pesquisa, autoconhecimento e planejamento, e que pode passar por mudanças ao longo da trajetória acadêmica e profissional.
Jornal da Paraíba












