A primeira pesquisa Quaest sobre o segundo turno da eleição presidencial de 2026 revela um dado que chama a atenção no cenário eleitoral: apesar de Augusto Cury, terceiro colocado na disputa do primeiro turno, ter declarado apoio a Flávio Bolsonaro (PL), seu eleitorado demonstra maior intenção de voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De acordo com o levantamento, 34% dos eleitores que votaram em Augusto Cury no primeiro turno afirmam que pretendem votar em Lula, enquanto 30% declaram intenção de voto em Flávio Bolsonaro. Outros 30% dizem que votarão em branco ou nulo, ou que não comparecerão às urnas. Os indecisos representam 6% desse grupo.
Os números indicam que o apoio político declarado por Cury não se traduz, até o momento, em uma transferência integral de seus eleitores para o candidato do PL. Pelo contrário, Lula aparece numericamente à frente entre os eleitores do ex-candidato, com uma diferença de quatro pontos percentuais.
Apoio político não garante transferência de votos
A diferença entre o posicionamento de Augusto Cury e a preferência manifestada por parte de seus eleitores evidencia um dos desafios centrais do segundo turno: conquistar o apoio efetivo de quem votou em candidatos que ficaram fora da disputa final.
Embora Cury tenha declarado apoio a Flávio Bolsonaro, a pesquisa sugere que seus eleitores não formam um bloco homogêneo. Uma parcela prefere Lula, outra escolhe o candidato do PL e uma terceira parte sinaliza que pode se abster ou votar em branco ou nulo.
Esse comportamento mostra que o endosso de uma liderança política não determina automaticamente a decisão de voto de sua base eleitoral. A escolha no segundo turno também pode refletir avaliações individuais dos candidatos, identificação política e rejeição às alternativas disponíveis.
Flávio Bolsonaro à frente na disputa geral
No cenário estimulado de segundo turno, a pesquisa Quaest aponta Flávio Bolsonaro com 46% das intenções de voto, contra 44% de Lula. A diferença de dois pontos percentuais coloca os candidatos em empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.
Os demais entrevistados se dividem entre indecisos, que somam 1%, e aqueles que pretendem votar em branco ou nulo ou não comparecer às urnas, que representam 9%.
Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Flávio Bolsonaro registra 43%, enquanto Lula aparece com 42%. Nesse cenário, 7% estão indecisos e 8% declaram voto branco ou nulo ou afirmam que não vão votar.
Eleitores de outros candidatos e a decisão em aberto
A pesquisa também mostra diferenças na preferência dos eleitores que apoiaram outros candidatos no primeiro turno.
Entre os eleitores de Caiado, 42% declaram intenção de voto em Flávio Bolsonaro, contra 23% em Lula. Já entre os eleitores de Renan Santos, Flávio registra 40%, enquanto Lula aparece com 14%.
O comportamento do eleitorado de Augusto Cury contrasta com esses resultados: além de Lula estar numericamente à frente, o percentual de eleitores que pretendem votar em branco ou nulo ou não comparecer às urnas chega a 30%.
Entre os entrevistados que não votaram ou escolheram branco ou nulo no primeiro turno, Lula aparece com 43%, diante de 38% de Flávio Bolsonaro.
Esses recortes ajudam a dimensionar a importância dos eleitores que não têm compromisso consolidado com os dois candidatos que avançaram para a etapa final da disputa.
Rejeição elevada e metodologia da pesquisa
A Quaest também identificou índices de rejeição semelhantes entre os candidatos. Segundo o levantamento, 54% dos entrevistados afirmam que não votariam em Flávio Bolsonaro de jeito nenhum, enquanto 53% dizem o mesmo sobre Lula.
Apesar desse quadro, 91% dos entrevistados afirmam que sua escolha já é definitiva. Outros 9% dizem que ainda podem mudar de ideia.
A avaliação do governo Lula registra 48% de desaprovação e 45% de aprovação. Na avaliação geral da administração, 40% consideram o governo negativo, 34% positivo e 24% regular.
Metodologia
A pesquisa Quaest foi encomendada pela Globo e pelo jornal O Globo. Foram entrevistadas 2.154 pessoas com 16 anos ou mais, entre 10 e 13 de outubro de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-08729/2026.
O dado central da pesquisa é que, entre os eleitores de Augusto Cury, Lula aparece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro, apesar do apoio declarado pelo ex-candidato ao representante do PL. Em uma disputa marcada pelo empate técnico no cenário geral, o comportamento desse eleitorado pode ser relevante para compreender a dinâmica do segundo turno.












