Vivemos um tempo em que muita gente parece ter desaprendido uma regra básica da convivência: pensar diferente não transforma ninguém em inimigo. Discordar não é desrespeitar. Ter outra opinião não é uma agressão. O contraditório faz parte da vida, das relações e de uma sociedade que se pretende livre.
É muito fácil respeitar quem concorda com tudo o que pensamos. Difícil — e muito mais necessário — é manter o respeito quando alguém olha para a mesma realidade e chega a uma conclusão diferente da nossa. É justamente aí que aparece a nossa capacidade de conviver.
Não condicione sua amizade à concordância. Não escolha quem merece seu abraço pela opinião que essa pessoa defende. Não transforme divergências políticas, religiosas ou ideológicas em muros entre pessoas que, muitas vezes, compartilharam uma vida inteira. Porque, quando o respeito só existe entre iguais, talvez não seja respeito. É apenas conforto.
E cuidado com o julgamento. Você conhece suas razões, suas experiências e sua história. Mas não conhece completamente as razões que levaram o outro a pensar como pensa. Ninguém deveria precisar pensar igual a você para merecer sua consideração.
O mundo já tem gente demais gritando e gente de menos escutando. Gente querendo vencer discussões, quando deveria preservar relações. Há momentos em que uma amizade vale muito mais do que a última palavra.
Defenda suas ideias. Tenha posição. Argumente. Discorde com firmeza quando for necessário. Mas nunca permita que suas convicções roubem de você a humanidade.
Porque amanhã a discussão passa. A eleição passa. As circunstâncias mudam. Muitas opiniões também mudam. E, quando o barulho termina, ficam as pessoas que machucamos, os amigos que afastamos e as pontes que destruímos simplesmente porque alguém ousou pensar diferente.
Respeitar o contraditório não diminui a força das suas convicções. Revela a grandeza do seu caráter.
Paraíba da Gente

















