O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 18, não concordar com a decisão dos Estados Unidos de classificar como terroristas as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), o que ocorreu no final de maio deste ano. De acordo com o petista, que busca reeleição na atual disputa eleitoral, terrorismo foi feito pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar depois de condenação imposta pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) na trama golpista.
“E eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o (governo de Donald) Trump. Quando o Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado. Quem fazia isso? O Bolsonaro tentando dar o golpe no 8 de Janeiro. Isso é terrorismo. Pensando em matar Lula, (Geraldo) Alckmin e até o Alexandre de Moraes. Esse era o plano. Isso é terrorismo de Estado”, disse Lula.
Na sequência, o presidente citou como as facções atuam no Brasil. “Agora, estamos falando de terrorista na periferia, porque esses bandidos são terroristas para famílias que moram no bairro, para as pessoas que estão nas escolas, que precisam pagar pedágio por conta do gás, por causa dos benefícios que o governo oferece. Esses nós vamos desocupar o território”, afirmou Lula durante evento de apresentação das forças de segurança no Rio de Janeiro. As táticas utilizadas por facções iguais a PCC e CV são semelhantes ao que fazem as máfias italianas — principalmente em cidades do Sul do país — em uma tentativa de domínio de território e imposição da omertà (código de silêncio mafioso).
O petista aproveitou o momento para dizer que o Brasil precisa unir as forças de segurança envolvendo todos os entes federativos (União, Estados, DF e Municípios) para reforçar o combate ao crime organizado. Lula afirmou que há necessidade de se combater as facções, inclusive com a prisão dos chefes do tráfico. “Não é só pegar o bandido que está na esquina. É igual garimpo. Nunca conseguimos pegar o dono do garimpo. Quando a gente vai com Exército e Marinha na Amazônia, a gente queima balsa, destrói avião, mas o dono do garimpo nunca está lá. Da mesma forma é o chefe do crime organizado. Ele possivelmente nunca conheceu uma favela. Ele está em um apartamento de cobertura, está em um condomínio. Ele não tem que sujar as mãos, alguém tem que sujar as mãos por ele. E se tiver proteção pública, melhor ainda. Se tiver um deputado para mandar soltar, melhor ainda. Deputado não foi feito para isso”, afirmou Lula.
O tema segurança pública é o tema da campanha eleitoral que mais preocupa, segundo pesquisas, o eleitorado brasileiro. O principal adversário de Lula, Flávio Bolsonaro (PL), tenta desde o começo da campanha presidencial colar a imagem do petista ao fracasso na segurança.
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