Na noite dessa sexta-feira (4), o procurador-geral da República Paulo Gonet informou ao ministro Edson Fachin, em resposta a um pedido de esclarecimentos feito pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, que abriu uma apuração sobre “possível ocorrência de ordem ou interferência externa” na produção do relatório da PF que apontou a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro — e que também citou o próprio procurador-geral da República e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
O documento em questão foi encomendado na semana passada pelo ministro André Mendonça, assinado por quatro delegados e três agentes da PF e tornado público na última terça-feira, também por decisão do relator do caso Master. No ofício sobre a instauração de um Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial, Gonet apontou que o objetivo é saber se eventual interferência maculou o seu conteúdo
Em reação à iniciativa do chefe da PGR, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) vai divulgar neste sábado uma nota pública para manifestar “indignação e preocupação” com a medida e pedir que Gonet “se declare impedido e se abstenha de praticar atos, seja como fiscal da lei, seja como titular do controle externo, nos procedimentos relacionados aos fatos em que é citado”.
A entidade, que representa mais de 2,3 mil delegados da corporação, também defende que o procedimento instaurado seja arquivado por ser “via inadequada ao questionamento de ato do STF” e que os fatos que vieram à tona pela operação Compliance Zero sejam apurados em toda a sua extensão, “sem seletividade quanto às autoridades envolvidas”.

















