Mais da metade dos brasileiros afirma que compareceria às urnas nas eleições de 2026 mesmo se o voto fosse facultativo no país. Segundo pesquisa Datafolha divulgada neste domingo, 23, 56% dos entrevistados votariam sem a obrigatoriedade, enquanto 43% não participariam do pleito. Outros 1% não souberam responder.
O resultado representa o maior nível de disposição para o voto voluntário desde o início da série histórica do instituto, em 1989. A diferença em relação ao menor patamar é de 15 pontos percentuais: em 2014 e 2015, apenas 41% afirmavam que votariam caso não fossem obrigados.
O levantamento ouviu 2.058 pessoas com 16 anos ou mais em 128 municípios, entre terça-feira, 18, e quarta-feira, 19. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
A pesquisa foi encomendada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04496/2026.
Interesse varia conforme renda e idade
A disposição para votar é maior entre os homens: 59% afirmam que compareceriam às urnas mesmo sem obrigatoriedade, ante 53% das mulheres.
A diferença também aparece entre faixas etárias. Entre os eleitores com 60 anos ou mais, 61% votariam voluntariamente. O percentual cai para 48% entre os mais jovens.
O recorte por renda apresenta uma distância ainda maior. Na parcela que recebe mais, 75% dizem que participariam da eleição mesmo sem a exigência legal. Entre os brasileiros com renda familiar de até dois salários mínimos, o índice é de 49%.
Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL), os percentuais são semelhantes.
O Datafolha também mediu a relação dos brasileiros com a política. Ao todo, 61% afirmam ter interesse médio ou grande pelo tema: 38% se dizem medianamente interessados e 23%, muito interessados. Outros 12% declaram interesse pequeno.
Como funciona o voto obrigatório
A Constituição determina que o voto é obrigatório para os brasileiros alfabetizados entre 18 e 70 anos. A participação é facultativa para jovens de 16 e 17 anos, pessoas com mais de 70 anos e analfabetos.
O eleitor que não comparece nem justifica a ausência está sujeito a multa de 3,51 reais por turno. Enquanto não regularizar a situação, também pode ficar impedido de emitir passaporte, tomar posse em cargo público e realizar outros procedimentos que exigem a quitação eleitoral.
Após três ausências consecutivas sem justificativa ou pagamento da multa, o título pode ser cancelado. Nas eleições gerais de 2022, a abstenção no primeiro turno chegou a 20,9%, ante 20,3% em 2018.
Com Veja

















