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Frio pode aumentar em até 30% os casos de infarto

O frio desencadeia mecanismos naturais de defesa do organismo que acabam exigindo mais do coração e dos vasos sanguíneos.

paraibadagente por paraibadagente
12/07/2026
in Destaques, Notícias
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Frio pode aumentar em até 30% os casos de infarto
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A chegada das temperaturas mais baixas exige atenção redobrada com a saúde cardiovascular. O inverno não traz apenas maior incidência de doenças respiratórias, mas também representa um período de maior risco para complicações como infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVCs), crises hipertensivas e descompensação de doenças crônicas, especialmente entre idosos, hipertensos, diabéticos e pacientes com histórico de problemas cardíacos.

Dados do Instituto Nacional de Cardiologia (INC) apontam que os casos de infarto podem aumentar em até 30% durante os meses mais frios, enquanto as ocorrências de AVC registram crescimento de até 20%, sobretudo quando as temperaturas ficam abaixo dos 14°C. Já informações do DATASUS, compiladas pela Organização Nacional de Acreditação (ONA), mostram que o Brasil registrou, em 2025, mais de 346 mil mortes relacionadas a infarto, AVC e insuficiência cardíaca, doenças diretamente associadas à hipertensão arterial.

De acordo com o médico cardiologista Eduardo Lanaro, o frio desencadeia mecanismos naturais de defesa do organismo que acabam exigindo mais do coração e dos vasos sanguíneos. “O principal mecanismo é a vasoconstrição periférica, em que os vasos se contraem para preservar a temperatura corporal. Isso aumenta a pressão arterial e faz com que o coração trabalhe mais. Além disso, há maior liberação de hormônios do estresse e o sangue pode se tornar mais viscoso, favorecendo a formação de trombos e aumentando o risco de infarto e AVC”, explica o especialista.

Segundo o médico, essas alterações fisiológicas são ainda mais preocupantes em pessoas acima dos 65 anos, que geralmente apresentam menor capacidade de adaptação ao frio e convivem com doenças crônicas como hipertensão, diabetes e aterosclerose. “Os idosos são os mais vulneráveis. O envelhecimento provoca maior rigidez das artérias e reduz a capacidade de resposta do organismo às mudanças de temperatura. Quando somamos isso a fatores como pressão alta e diabetes, o risco de complicações cardiovasculares se torna significativamente maior”, destaca Lanaro.

Além dos efeitos diretos das baixas temperaturas, hábitos comuns do inverno também contribuem para elevar os riscos. A redução da prática de exercícios físicos e a menor ingestão de água podem favorecer o aumento da pressão arterial, o descontrole da glicemia e a piora da circulação sanguínea. “É muito comum que as pessoas fiquem mais sedentárias nessa época do ano. A combinação entre frio e falta de atividade física prejudica o controle da pressão, do colesterol e do diabetes, além de aumentar a inflamação no organismo. O coração perde uma importante proteção proporcionada pelo condicionamento físico”, ressalta o cardiologista.

Hipertensos e diabéticos precisam de atenção especial

Conforme explica o médico, a vasoconstrição provocada pelo frio se soma ao quadro já existente da doença, favorecendo picos de pressão e aumentando o risco de infarto, AVC, insuficiência cardíaca e até dissecção da aorta.

Entre os pacientes diabéticos, o período também exige vigilância. Alterações hormonais, menor atividade física, desidratação e maior incidência de infecções respiratórias podem dificultar o controle da glicemia. “O inverno exige monitorização mais frequente da pressão arterial e da glicose, além da manutenção rigorosa das medicações. Hidratação adequada, alimentação equilibrada e vacinação em dia são medidas fundamentais para proteger o sistema cardiovascular”, orienta.

Sintomas não devem ser ignorados

Dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio intenso, tontura, palpitações, náuseas e sintomas neurológicos, como dificuldade para falar, perda de força em um dos lados do corpo ou assimetria facial, são sinais de alerta que exigem atendimento médico imediato.

“Tempo é músculo cardíaco e neurônio cerebral. Não vale a pena esperar os sintomas passarem. Melhor procurar atendimento e descartar uma situação grave do que perder a oportunidade de tratar um infarto ou um AVC em tempo”, alerta o especialista.

Para o cardiologista, a estação mais fria do ano deve servir de alerta para a importância da prevenção. “Com acompanhamento médico, controle dos fatores de risco e hábitos saudáveis, é possível reduzir significativamente as complicações cardiovasculares. Quem tem hipertensão, diabetes, colesterol elevado ou histórico familiar de doenças do coração deve aproveitar esse período para realizar uma avaliação preventiva e cuidar ainda mais da saúde”, orienta.

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