A aprovação, na noite desta quarta-feira (10), pelo Senado, de um projeto de lei que renegocia dívidas rurais deixou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pressionado entre o Palácio do Planalto e a bancada ruralista.
O motivo é que, enquanto o governo conta com Motta para travar o PL na Câmara, considerado pelo Ministério da Fazenda uma “bomba fiscal”, com impacto de pelo menos R$ 170 bilhões, os ruralistas já se organizam para pressionar o presidente da Casa a pautar a proposta o quanto antes.
Para esse grupo, a proposta só terá efeito prático se aprovada antes do anúncio do Plano Safra pelo governo, ao qual muitos agricultores só poderão aderir caso tenham suas dívidas renegociadas
O setor passa por dificuldades principalmente em razão dos efeitos climáticos e dos impactos nos preços do diesel e dos fertilizantes decorrentes da guerra no Oriente Médio.
O dilema de Hugo Motta diante do PL se agrava porque ele foi eleito presidente da Câmara com apoio tanto de Lula quanto dos ruralistas e conta com o apoio de ambos para tentar se reeleger ao cargo em fevereiro de 2027.
O dilema para Motta é que os ruralistas certamente estarão no Congresso em 2027, mas a reeleição de Lula ainda é incerta.
Por outro lado, o governo tem um trunfo: o apoio, até agora ainda não explícito, do presidente Lula à eleição de Nabor Wanderley ao Senado pela Paraíba. Ele é pai de Motta e, segundo deputados, é esse objetivo que move a reaproximação do presidente da Câmara com Lula nas últimas semanas.
Um sinal dado por Motta nos últimos dias animou o governo: ele indicou a deputados que, diante da Copa do Mundo, das festas juninas e das eleições, as votações na Casa até outubro deverão ser realizadas de forma remota. Para os ruralistas, isso dificulta a articulação para pressionar Motta a pautar o PL que renegocia as dívidas.
Com CNN Brasil
















