A incerteza e o sofrimento pela falta de notícias têm dominado a rotina da família da idosa Milce Daniel Pessoa, de 72 anos, desaparecida desde a última quarta-feira (22), na região entre Bayeux e Santa Rita, na Grande João Pessoa.
A filha da idosa, Suênia Pessoa, relatou o impacto emocional causado pela ausência de informações sobre o paradeiro da mãe. Segundo ela, o passar dos dias intensifica a preocupação.
“O pior é o tempo passando. Ela é uma senhora de idade, e a angústia só aumenta, porque não sabemos o que pode ter acontecido”, disse.
Familiares também apontam dificuldades no andamento do caso, pois citam burocracia e sensação de falta de assistência por parte da Polícia Civil. De acordo com Suênia, houve tentativa de registrar o desaparecimento ainda no dia do desaparecimento, mas uma falha no sistema da polícia impediu o procedimento naquele momento.
Desde então, parentes e amigos passaram a realizar buscas independentes, com apoio do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, porém sem resultados.
“Tem uma burocracia que está atrapalhando, então é melhor uma pessoa morta para encontrar depois do que a polícia tomar uma atitude, então a gente tem sentido essa ausência”, afirmou.
A filha também diz que a mãe mora há mais de 50 anos no mesmo local e ela não teria como ter se perdido: “Ela não é uma pessoa que desconheça seu lugar, não tem Alzheimer, não tem nenhum problema mental que possa ter esquecido (de onde mora)”, explicou.
Desaparecimento após consulta médica

Milce foi vista pela última vez na manhã da quarta-feira (22), ao sair de casa acompanhada de um vizinho, com quem mantinha o hábito de ir a consultas médicas. Eles foram até o Hospital Metropolitano, em Santa Rita, onde o homem faria exames.
Após deixarem a unidade, os dois seguiram para uma área de mata nas proximidades do Educandário de Bayeux.
Segundo relato do acompanhante, a idosa pediu para parar no local para comer manga. Em determinado momento, ele afirma ter perdido a idosa de vista. O celular e a bolsa dela permaneceram dentro do veículo.
Equipes do Corpo de Bombeiros realizaram uma varredura na área indicada pelo homem, utilizando drones e cães farejadores, mas não encontraram indícios que levassem ao paradeiro da idosa.
A família também percorreu a região, buscou imagens de câmeras de segurança em estabelecimentos da região e intensificou a divulgação do desaparecimento nas redes sociais. Apesar dos esforços, ainda não há informações concretas sobre o caso.
O delegado Douglas García, que investiga o caso, informou à família que a investigação deve começar pela análise de imagens do Hospital Metropolitano, com o objetivo de reconstituir os últimos passos da idosa.
Segundo os familiares, o homem que estava com Milce tem colaborado com as investigações e não há, até o momento, suspeitas formais contra ele.
Em contato com a reportagem, o delegado Douglas García explicou que as diligências seguem em andamento, mas com ritmo reduzido devido ao fim de semana. Ele confirmou que buscas já foram feitas, sem sucesso, e que novas estratégias devem ser definidas a partir da segunda-feira (27), com possível ampliação das áreas investigadas.
Com Jornal da Paraíba





















