Em Livramento, no Cariri paraibano, um papagaio de estimação ficou conhecido por, supostamente, ter sido cuidado por Frei Damião. O frei teria recebido o animal em Portugal, na década de 1980.
Hoje, o papagaio, que não tem nome, vive na casa de Dona Nenzinha, na zona rural do município. Ele foi confiado a ela por uma missionária, Anitta Neiva, que acompanhava Frei Damião e tomou conta do animal após a morte do religioso. A missionária conheceu o filho de Dona Nenzinha em Patos, no Sertão. Lá, eles desenvolveram uma amizade e, a partir disso, o animal foi levado para a residência da idosa.
“Quando Frei Damião faleceu, ela ficou responsável pelo papagaio. Vieram para Patos, terra natal dela. Lá, conheceu o meu filho, se tornaram amigos e, em certo momento, ela me mandou a proposta, por meio dele, para me dar o papagaio”, conta Dona Nenzinha.
O filho de Dona Nenzinha é o Padre Rogério. Na época, ele ainda estava estudando para ser padre e foi trabalhar em uma paróquia na cidade. “Eu conheci a Anitta já um pouco antes, no início dos anos 2000, por aí, e frequentava um pouco a casa dela. E então, a Anitta tornou-se uma amiga minha e chegou quando chegou a uma certa idade, ela adoeceu, teve que ir para o hospital e pediu para que eu ficasse com o papagaio. Como minha mãe mora no campo, eu levei lá para Livramento, relembrou o padre.
Contam que a ave foi doada para Frei Damião na década de 1980. A estimativa é que hoje ela tenha cerca de 90 anos e segue firme, sendo considerada uma relíquia viva de uma das maiores personalidades católicas do Nordeste.
Com a idade avançada, o papagaio já apresenta sinais de cansaço. Railton, filho de Dona Nenzinha e irmão do Padre Rogério, fez um “corre-bico” para que a ave consiga ficar por mais tempo apoiada no poleiro.
“Eu fiz um corre-bico para ele segurar no bico. É assim que ele fica no poleiro e traz mais um conforto para ele, né? Porque ele não vai ficar só deitado o tempo todo”.
Além da resistência e da procedência, o animal chama atenção pela beleza. A cor incomum no Brasil reforça a ideia de que o papagaio não é nativo da região. O animal já apresenta sinais do tempo: está idoso, com mobilidade reduzida, mas recebe cuidados e carinho da família.
“Ele faz parte do nosso convívio. Todo dia cuidamos dele. Fica no poleiro até 6 ou 7 horas da noite, depois vai para o ninho dormir. No outro dia, por volta das 10 ou 11 horas, volta para o poleiro. Já está cansado, não aguenta ficar muito tempo”, contou Railton sobre a rotina da ave.
Jornal da Paraíba




















