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17 anos depois, Cássio atribui cassação a influência de desembargadora e empresário: “tempestade perfeita”

O governador teve o mandato cassado pelo TRE e TSE sob a acusação de ter distribuído 35 mil cheques a cidadãos carentes durante a campanha eleitoral de 2006

paraibadagente por paraibadagente
27/02/2026
in Destaques, Notícias, Política
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17 anos depois, Cássio atribui cassação a influência de desembargadora e empresário: “tempestade perfeita”
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Cassado do cargo de governador da Paraíba em 2009, o ex-governador e ex-senador Cássio Cunha Lima (PSDB) afirmou, em entrevista ao podcast Fez História, Agora Conta!, nesta quinta-feira (26), que a decisão que resultou na perda do mandato teria sido influenciada pela desembargadora Fátima Bezerra, viúva do ex-governador José Maranhão, e o empresário Roberto Cavalcanti, suplente de Maranhão no Senado à época.

“Respeito a memória do ex-governador e ex-senador Maranhão. Ele estava fazendo o papel dele, casado com uma desembargadora, veja o grau de influência, né? (sic) É óbvio que a esposa dele iria, como esposa, procurar defender os interesses políticos do marido”, declarou.

Cássio também mencionou Roberto Cavalcanti, proprietário do Sistema Correio de Comunicação, que era o primeiro suplente de Maranhão no Senado.

“Por trás de Maranhão, na primeira suplência, ninguém menos que Roberto Cavalcanti, dono de um dos maiores sistemas de comunicação da Paraíba. (…) Arrumaram uma cassação para mim. Foi lá e arruma um jeito e tira do governo que a gente tem que colocar Maranhão para Roberto assumir. E assim foi feito”, afirmou.

Na época, com a cassação, José Maranhão assumiu o Governo do Estado, abrindo vaga no Senado, posteriormente ocupada por Roberto Cavalcanti.

O ex-governador afirmou não guardar ressentimentos, mas declarou ter perdido a confiança no Judiciário. “Mágoa, ressentimento, nenhum. Até agradeço ter acontecido, serve de experiência. Agora deixei de acreditar. Não acredito mais”, disse.

Ele também avaliou que teria adotado estratégia diferente no processo. “Eu fui muito institucional, fui ingênuo. Meus advogados disseram que podíamos retardar o julgamento. Eu disse: ‘Não, deixa julgar, eu não devo’. O maior erro da minha vida”, afirmou, acrescentando que, em retrospectiva, teria prolongado a tramitação do caso.

O governador teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) e confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob a acusação de ter distribuído 35 mil cheques a cidadãos carentes durante a campanha eleitoral de 2006, por meio de programa assistencial da Fundação Ação Comunitária (FAC), vinculada ao governo estadual. Segundo a denúncia, os cheques totalizam cerca de R$ 4 milhões.

“Eu tive dois processos de cassação, um deles, eu perdi o mandato do governador porque Geovanni Carvalho, um jornalista, escreveu um artigo elogiando alguns atos do governo no jornal A União. O Tribunal Regional Eleitoral e o Tribunal Superior Eleitoral cassaram o mandato de um governador por conta de um artigo publicado no jornal. Queriam cassar”, declarou.

“A outra razão era um programa social que sempre existiu no governo, onde por ironia do destino o pai do relator do processo tinha sido contemplado com esse programa, que adoeceu e o estado bancou o tratamento de saúde dele e várias pessoas que eram atendidas por esse programa. E aí fui cassado por atender pessoas pobres, pessoas que tinham carências e necessidades na área de saúde. Isso, perdi o mandato por isso. O mandato legítimo, onde fui eleito pela vontade da maioria do povo paraibano. E hoje a gente vê o que está acontecendo. O que acontece com decisões da justiça que são absolutamente envezadas politicamente”, completou.

 

 

Blog do Maurílio Júnior

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