CRÔNICA – “QUEM MUDA MAIS?”
Quem muda mais: o político quando assume… ou o eleitor quando precisa?
Essa é daquelas perguntas que incomodam… porque não tem resposta simples… e talvez, no fundo, a gente nem queira responder com sinceridade.
Porque veja bem…
Durante a campanha, o político é um exemplo de humildade.
Ele aperta a mão de todo mundo, entra em qualquer casa, toma café onde for chamado, escuta histórias, faz promessas, olha no olho e diz: “eu não vou esquecer de você.”
E o povo acredita.
Aí vem a eleição… o voto… a vitória… a posse… a cadeira… o gabinete… o poder.
E alguns… não todos… mas alguns… mudam.
Mudam o telefone, mudam a agenda, mudam o jeito de falar… e às vezes até o jeito de olhar para o povo.
Aquele que antes batia na porta… agora manda recado pela assessoria.
Aquele que pedia voto com humildade… agora anda cercado, distante, inacessível.
Mas calma…
Antes de apontar o dedo só para um lado… vamos olhar para o outro.
E o eleitor?
Porque o eleitor também muda.
Tem eleitor que passa quatro anos reclamando… criticando… apontando erros… dizendo que não aguenta mais.
Mas quando precisa de um favor… de um emprego… de uma ajuda… de uma influência… ele muda.
Esquece tudo.
Esquece as críticas.
Esquece os erros.
Esquece até a dignidade.
E vai lá… pedir.
Às vezes pede aquilo que sabe que não é certo.
Às vezes troca o voto por uma promessa pequena.
Às vezes vende o futuro por uma necessidade imediata.
E aí a pergunta volta, mais forte ainda:
Quem muda mais?
O político que esquece o povo…
ou o eleitor que esquece seus princípios?
No fundo… a verdade dói.
Porque a política é um espelho.
Ela reflete quem está lá em cima… mas também quem está aqui embaixo.
Se tem político que se vende… é porque tem eleitor que compra.
Se tem político que esquece… é porque tem eleitor que aceita ser esquecido.
Se tem político que promete… é porque tem eleitor que ainda acredita sem cobrar.
Mas também tem o outro lado…
Tem político sério.
Tem político que honra o mandato.
Tem político que continua sendo gente depois que assume.
E tem eleitor consciente.
Tem eleitor que não vende voto.
Tem eleitor que cobra, fiscaliza, participa e não se curva.
Esses… são poucos… mas são esses que ainda sustentam a esperança.
Então talvez a pergunta não seja apenas “quem muda mais”…
Mas sim:
Quando é que nós vamos mudar de verdade?
Quando é que o político vai entender que mandato não é poder… é serviço?
E quando é que o eleitor vai entender que voto não é favor… é responsabilidade?
Porque enquanto os dois continuarem mudando apenas por conveniência…
a cidade não muda.
O país não muda.
E a história se repete… de eleição em eleição… de promessa em promessa… de decepção em decepção.
Pense nisso.
E responda com sinceridade…
Quem muda mais: o político quando assume… ou o eleitor quando precisa?





















