Aos 26 anos, durante um voo de Boston para Atenas, Angeliki Asimaki percebeu que algo estava errado com a visão do olho direito. Ela pensou que fosse um problema na lente de contato, e ignorou os sintomas. Porém, menos de 24 horas depois, o lado direito do dela corpo ficou paralisado.
No hospital, veio o diagnóstico: ela havia sofrido um acidente vascular cerebral (AVC). O AVC acontece quando há interrupção ou rompimento de um vaso sanguíneo no cérebro, impedindo que o oxigênio chegue adequadamente às células.
No caso dela, houve rompimento de um vaso cerebral. Angeliki se recuperou parcialmente e conseguiu recuperar cerca de 75% da visão afetada. Mas a causa do AVC não ficou totalmente esclarecida naquele momento.
Angeliki foi diagnosticada aos 15 anos com um bloqueio cardíaco completo intermitente — um problema elétrico que impede que os sinais que controlam os batimentos circulem corretamente. A jovem chegava a desmaiar até seis vezes por dia e, para corrigir o quadro, foi implementado um marca-passo.
Em 2009, quando ela completou 29 anos, durante uma cirurgia para a troca do marca-passo, os médicos encontraram um problema estrutural no coração que explicava o AVC: um defeito do septo atrial (ASD) — um buraco entre as duas câmaras superiores do órgão.
Esse tipo de abertura pode permitir a passagem anormal de sangue entre as câmaras e, em alguns casos, facilitar a formação ou migração de coágulos que chegam ao cérebro. Após a descoberta, Angeliki passou por cirurgia cardíaca aberta para corrigir o defeito.
Sintomas de AVC que exigem ação imediata
- Fraqueza.
- Dificuldade para mover um lado do corpo.
- Boca torta.
- Fala enrolada.
- Dificuldade para encontrar palavras.
- Tontura.
- Alteração de equilíbrio
- Perda parcial da visão.
Da paciente a pesquisadora
O susto serviu de combustível para Angeliki, que decidiu se tornar pesquisadora médica. Ela fez doutorado em medicina cardiovascular na University College London, trabalhou no Harvard Medical School e hoje atua como pesquisadora no City St George’s, University of London.

Parte de suas pesquisas é financiada pela British Heart Foundation (BHF). Entre os projetos, está o desenvolvimento de um teste simples com cotonete na bochecha para ajudar na identificação precoce de doenças cardíacas.
A história de Angeliki reforça que o acidente vascular cerebral (AVC) e as doenças cardíacas não atingem apenas idosos. Embora sejam mais comuns com o avanço da idade, também podem afetar jovens — especialmente quando há condições estruturais ou elétricas do coração que passam despercebidas por anos.
O caso dela mostra a importância de investigar sintomas como desmaios frequentes, perda súbita de visão ou fraqueza em um lado do corpo. Diagnóstico e acompanhamento adequados podem reduzir riscos e mudar o rumo de uma história que poderia ter terminado de forma muito diferente.
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