Na sempre surpreendente Bayeux, a crise institucional ganhou novos e intensos contornos nesta quinta-feira (19), durante sessão na Câmara Municipal. Em meio a discursos longos e votações calorosas, surgiu, sem aviso prévio e sem fazer barulho, um aparte gasoso. Um decreto invisível. Um projeto de lei orgânico.
Olhares cruzaram o plenário como se buscassem o autor do atentado atmosférico. Instalou-se o caos, típico daqueles que antecedem cassações e escândalos, mas, desta vez, antecedia apenas a necessidade urgente de ar fresco. Começou então a ciranda: assessores procurando a saída, vereadores procurando acessos, documentos virando leques improvisados.
E tome acusação, porque o catingoso definitivamente não constava na “Ordem do Dia”:
“Quem foi?”
“Pela ordem!”
“Isso é tentativa de me denegrir!”
“Tá me afetando o ar!”
Nos corredores, já se falava até na abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Surgiram propostas como CPI do Caso Flatulêncio, CPI do Projeto Gasoso, mas, convenhamos, o nome precisaria estar à altura da tradição francesa que a cidade cultiva. E, a mais cotada nos bastidores, a sofisticada CPI Le Pum.
Brincadeiras à parte, foi um desfecho inédito até para os padrões locais. E não são poucos. A cidade que já viu prefeito preso em flagrante, quatro prefeitos em dois anos e capítulos que fariam roteirista desistir da verossimilhança, testemunhou algo ainda mais improvável: não foi a falta de quórum, nem o embate ideológico, nem a ausência de projeto que encerrou a sessão, foi um ar antidemocrático que esvaziou o plenário. Literalmente.
Em tempo: após o encerramento abrupto, opositores da presidente Jays de Nita acusaram que o episódio não teria sido mero acidente fisiológico, mas uma operação estratégica envolvendo o temido “pum alemão”, que é um spray de pegadinha, conhecido por liberar odor extremamente forte, desagradável e realista. Um instrumento de guerra não convencional, versão parlamentar.
Um aliado da presidente, sob reserva, negou qualquer envolvimento da mesa diretora e classificou a denúncia como “narrativa malcheirosa”.
A pergunta que fica para a história legislativa de Bayeux é inevitável: testemunhas olfativas devem ser ouvidas? Ou o caso será arquivado por falta de provas… materiais?
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