Um espumante que mistura soro de leite e caju foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) ao tentarem solucionar o problema da indústria de laticínios com a fabricação de produtos como queijo e iogurte que gera como subproduto o soro do leite, e que devido à alta carga de matéria orgânica, pode causar significativo impacto ambiental quando descartado no meio ambiente sem um tratamento adequado.
A bebida fermentada alcoólica mista tem semelhanças com um espumante, de baixo teor alcoólico, levemente ácida, e tem aroma presente de caju. Segundo Marcelo Muniz, professor do Departamento de Engenharia de Alimentos e coordenador do Laboratório de Engenharia Bioquímica (LEB), o soro do leite possui elevado valor nutricional “sendo rico em proteínas de alto valor biológico (como os BCAA), lactose e minerais, além de possuir relevante potencial de hidratação”, comenta Muniz.
“O suco de caju apresenta elevado valor nutricional, sendo rico em vitamina C, ferro, fósforo, fibras e compostos antioxidantes. Dessa forma, o projeto propôs a associação do soro de leite com o suco de caju, visando ao desenvolvimento de uma bebida fermentada gaseificada, com potencial valor nutricional e características sensoriais diferenciadas”, diz o coordenador do LEB.
Muniz explicou que, por ser um produto inovador, inexistente no mercado, houve uma série de desafios na elaboração da bebida. “O principal desafio do trabalho consistiu em mascarar ou eliminar o aroma e o sabor residual de queijo provenientes do soro de leite, tornando a bebida sensorialmente agradável e similar a um frisante”, relata. “Para isso, foram realizados diversos testes experimentais, envolvendo a seleção do tipo de soro de leite, escolha de microrganismos fermentativos, metodologias de fermentação, seleção de matérias-primas para saborização, além do estudo da cinética de cocultura microbiana, visando alcançar os melhores resultados sensoriais possíveis”.
O invento segue com pedido de patente já encaminhado para possível inserção no mercado “considerando características sensoriais e tecnológicas, o produto possui aspectos únicos que podem torná-lo uma nova alternativa de bebida alcoólica inovadora para o consumidor”, avalia Muniz.
O invento é resultado do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do curso de Engenharia de Alimentos, da estudante Annie Raposo, orientada pelo professor Marcelo Muniz e coorientação do professor Kristerson Freire. O bacharel em biotecnologia Ícaro de Oliveira também contribuiu no processo. O trabalho rendeu um pedido de patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) por parte da Agência UFPB de Inovação Tecnológica.
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