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Transtornos alimentares são vendidos como ‘estilo de vida’ em vídeos virais nas redes

paraibadagente por paraibadagente
22/03/2026
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Transtornos alimentares são vendidos como ‘estilo de vida’ em vídeos virais nas redes
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Conteúdos relacionados a transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, voltaram a circular nas redes sociais com uma nova abordagem, agora apresentados como “estilo de vida” e associados a práticas de bem-estar e disciplina alimentar. A mudança de formato tem preocupado especialistas, que alertam para o aumento de casos, principalmente entre crianças e adolescentes.

Se na internet dos anos 2000 os conteúdos eram divulgados em blogs conhecidos como “ana” e “mia”, hoje essas práticas aparecem de forma mais disfarçada em plataformas como Instagram e TikTok. Os perfis costumam apresentar vídeos com dicas de alimentação, rotina fitness e autocuidado, muitas vezes com influenciadores usando roupas de academia e linguagem voltada à saúde.

De acordo com especialistas, essa nova configuração transforma doenças em comportamentos socialmente aceitos, criando comunidades abertas e sem controle nas redes. O cenário tem contribuído para o agravamento dos transtornos, com pacientes cada vez mais jovens — incluindo crianças de até nove anos — e quadros mais severos de perda de peso.

Outro ponto de alerta é o uso das chamadas “canetas emagrecedoras”, medicamentos que vêm sendo utilizados por pessoas sem sobrepeso como forma de restringir a alimentação e atingir metas cada vez menores de peso, comportamento associado à anorexia.

Apesar de as plataformas afirmarem que não permitem conteúdos que incentivem transtornos alimentares ou práticas perigosas de controle de peso, esse tipo de material continua sendo encontrado com facilidade. Levantamentos identificaram vídeos que ensinam comportamentos típicos dessas doenças, como longos períodos de jejum, restrição extrema de calorias, indução ao vômito e uso de laxantes e diuréticos.

Especialistas reforçam que não há recomendação médica para interrupção prolongada da alimentação ou jejuns excessivos. Pelo contrário, essas práticas podem agravar quadros de saúde, desencadear transtornos alimentares e causar prejuízos ao organismo.

A nova forma de disseminação desses conteúdos também inclui discursos que incentivam a autocrítica extrema e a insatisfação corporal como estratégia para emagrecimento, reforçando padrões prejudiciais e ampliando o alcance dessas práticas nas redes sociais.

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