A produção de acessórios e enfeites de Carnaval tornou-se a nova frente de trabalho e ressocialização para as mulheres assistidas pelo projeto “Castelo de Bonecas”, na Penitenciária de Reeducação Feminina Maria Júlia Maranhão, em João Pessoa-PB. A proposta, que utiliza o artesanato como ferramenta de profissionalização, foca na criação de peças exclusivas produzidas a partir do reaproveitamento de materiais.
A iniciativa de confeccionar esses adereços partiu da diretora da unidade, Tatiana Pimentel, que buscou diversificar as atividades das internas. “Sugerimos a criação desses acessórios e a ideia foi prontamente abraçada pelas reeducandas. O trabalho já começou a ser comercializado com boa aceitação, o que reforça o potencial de reintegração dessas mulheres através da arte”, pontua a diretora.
ARTE SUSTENTÁVEL E SAÚDE MENTAL
A produção dos ornamentos carnavalescos cumpre um papel fundamental na manutenção da saúde mental dentro da unidade. O processo criativo auxilia no alívio das tensões do ambiente prisional e oferece uma ocupação construtiva. Ao transformar sobras de fitas, viés, lantejoulas e flores, em arte, as participantes aprendem o valor da sustentabilidade.
“Muita coisa que está sendo utilizada aqui seria descarte de outros materiais. Estamos reaproveitando e formando novas artes”, explica a policial penal e coordenadora-geral do projeto, Thailma Teixeira. Para ela, aprender a reutilizar recursos é uma lição de economia e consciência ambiental que as internas levarão para a vida fora do sistema.
APRENDENDO ALGO NOVO
Para as reeducandas, a confecção dos adereços de carnaval representa a abertura de um novo nicho de mercado. Janaína, uma das participantes que já atuava na costura e produção de bonecas, destaca a importância de aprender algo novo: “Produzir esses acessórios é bem interessante. É um aprendizado que se soma ao que eu já sabia e que amplia minhas chances quando eu sair daqui”.
O impacto do projeto é percebido em três pilares principais:
— Capacitação: Aprendizado de técnicas de artesanato e design de acessórios.
— Impacto econômico: O valor das vendas é reinvestido no projeto e uma parte é repassada às reeducandas como remuneração pelo trabalho.
— Vínculo familiar: O reconhecimento dos familiares quanto ao trabalho desempenhado fortalece a autoestima e o apoio à ressocialização.
As peças produzidas diariamente são caracterizadas pela criatividade e pelo uso vibrante de cores, demonstrando que o trabalho manual pode ser, simultaneamente, um caminho para a dignidade e uma nova oportunidade profissional.
Para adquirir a arte das reeducandas da Penitenciária Júlia Maranhão, entre em contato por meio do Instagram @castelodebonecasjuliamaranhao






















