O que foi feito com o cãozinho Orelha não pode ser tratado como um caso isolado de maus-tratos. Para a ativista dos direitos animais Ciara Lys, o episódio revela algo muito mais grave: a banalização da crueldade e o esfriamento da empatia em parte da sociedade brasileira.
Segundo Ciara, machucar, rir e seguir a vida como se nada tivesse acontecido — mesmo após uma vida ser arrancada da forma mais covarde possível — evidencia um processo perigoso de normalização da violência, especialmente contra seres indefesos.
“Não é ódio gratuito. É revolta. É dor por um ser que confiava no mundo e recebeu violência em troca. É medo do tipo de gente que estamos criando quando a empatia morre tão cedo”, afirma a ativista.
A indignação, segundo ela, não nasce do desejo de vingança, mas da ausência de respostas concretas. Frases como “não pagar o mal com o mal” são repetidas com facilidade, mas pouco se fala sobre como lidar com a sensação de injustiça sem adoecer, sem se calar e sem permitir que crimes desse tipo se repitam.
O caso de Orelha reforça a necessidade urgente de responsabilização, aplicação rigorosa da legislação de proteção animal e fortalecimento da consciência coletiva de que vida animal não é descartável. O silêncio social, alerta Ciara, quase sempre tem um preço alto — e esse preço costuma ser pago com novas vidas.
A mobilização em torno do caso pede mais do que comoção momentânea. Pede justiça, consequência e mudança de postura. Porque quando a sociedade se cala diante da crueldade, ela se torna cúmplice da repetição da violência.
Justiça por Orelha. Que o silêncio não seja mais uma sentença de morte.
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