A estudante paraibana de Odontologia, Maisy Peixoto, foi diagnosticada com linfoma de Hodgkin aos 20 anos após uma série de sintomas percebidos desde 2024. A jovem natural de Esperança, no Agreste da Paraíba, teve perda significativa de peso, nódulos no pescoço, inchaço nos olhos e outros sinais que tratou sem diagnóstico, de início, de que se tratava de um tipo de câncer no sistema linfático, parte do sistema imunológico. Com coragem e fé, a jovem tem vivido cada etapa desse desafio e fez um alerta para que as pessoas fiquem atentas aos sinais que do corpo.
Neste mês de janeiro, Maisy resolveu contar a sua história em seu perfil no Instagram para alertar mais pessoas sobre os sinais que o corpo dá. “Resolvi fazer esse relato para contar como meu corpo vinha dando sinais diante de tudo o que estava acontecendo. Por muito tempo, meu corpo tentou conversar comigo”, descreveu a estudante.
Perda de peso
“Eu, como tantas vezes fazemos, segui vivendo… Acreditando que era apenas cansaço, uma fase difícil, estresse. Vieram os sinais, pequenos, silenciosos, insistentes. Coisas que eu sentia, mas tentava normalizar. Meu corpo já não respondia como antes – e, no fundo, eu sabia que algo não estava certo. Foi então que os alertas começaram a se repetir”, narrou Maisy, destacando que cada sintoma vinha como um pedido de atenção.
O primeiro sintoma que a paraibana notou foi a perda de peso, no final do ano de 2024. “E não foi pouca coisa. Em poucas semanas, perdi quase 8kg. De 38, passei a vestir 36… depois 34. Eu me sentia muito mal. Cheguei a chorar várias vezes ao me vestir e ver as roupas sobrando no meu corpo”, contou a jovem, que estranhou a situação, já que fazia musculação e se alimentava bem.
Olho inchado
Em maio de 2025, ela gravou vídeo mostrando os olhos inchados, algo que, segundo Maisy, nunca havia acontecido. Ela ficou preocupada acreditando ter contraído alguma bactéria por causa do uso de lente de contato. Procurou a oftalmologista, que descartou infecção bacteriana, encontrou uma glândula inflamada e avaliou que aquilo era resultado de um processo inflamatório no corpo. Passou medicamento e Maisy melhorou.
“Mas o aviso já tinha sido dado. Meu corpo estava falando e, mais uma vez, eu ainda não sabia ouvir”, destacou a jovem.
‘Bolinha’ no pescoço
Em agosto de 2025, Maisy percebeu uma ‘bolinha’ em seu pescoço enquanto se arrumava para ir à faculdade. “Na hora, não dei importância”, relatou a estudante na rede social, ao dizer que acreditou ser apenas um “gatilho muscular” resultante do treino de musculação.
“Fiz ciclos de anti-inflamatório esperando que resolvesse. Mas não resolveu. Como não doía e não me incomodava no dia a dia, eu deixei quieto. Ignorei.
Manchas
Em setembro, manchas apareceram pelas pernas, mas, outra vez, Maisy ignorou acreditando ser algo meramente passageiro e associou ser normal já que era recorrente ela ter crises de infecção urinária.
Ultrassonografia
Foram semanas ignorando os sintomas, como a volta da perda de peso e o surgimento de enjoos, ânsia de vômito, até chegar a vomitar a própria saliva. Maisy recebeu a insistência de colegas que pediam para que ela procurasse um médico. Um professor, então, pediu que ela fizesse uma ultrassonografia, a qual apontou a existência de uma cadeia de nódulos no pescoço.
A estudante procurou um médico de cabeça e pescoço. Ela prescreveu exames de sangue e uma Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF). Os exames de sangue tiveram alterações consideradas ‘normais’. “Mas o PAAF, não. O resultado foi lindadenite granulomatosa. E ali eu já entendi que não era algo tão simples assim. Esse diagnóstico levanta duas hipóteses: tuberculose ganglionar ou linfoma. Foi nesse momento que o medo começou a ganhar nome”, contou a jovem.
A espera pela confirmação
Maisy Peixoto contou que estava ansiosa para saber o resultado das duas biópsias solicitadas pelo médico. “Eu ainda estava cirurgiada, muito sensível, alterada, ansiosa e apreensiva. Porque, de certa forma, eu já sabia o que eu tinha. Meu corpo tinha avisado muitas vezes. Em detalhes. Por meses”, pontuou a jovem.
Estudante alerta: “Se olhem. Se toquem. Prestem atenção às mudanças e ao próprio corpo”
Maisy Peixoto alerta a todos para que percebam os sinais que as doenças dão através do corpo.
“Esse relato não é sobre medo. É sobre atenção. Se olhem. Se toquem. Prestem atenção às mudanças e ao próprio corpo”, disse.
Maisy escreveu, também no perfil no Instagram, que olha para trás e vê que “meu corpo nunca falhou comigo. Ele avisou, pediu cuidado, tentou me proteger. Agora, escolho escutar”.
Tratamento
No dia 15 de dezembro, ela deu entrada no Hospital da FAP, em Campina Grande, para avalições iniciais. “Entro com medo, sim, mas também com fé, coragem e amor.” Ela agradeceu pelo buquê de flores que recebeu dos professores na chegada ao hospital e destacou que tem “pessoas incríveis ao meu redor” e enfatizou: “o câncer não me define.”
2026
Maisy Peixoto informou à reportagem que iniciará o tratamento na sexta-feira, 30 de janeiro.
A paraibana finalizou 2025 com um balanço dos desafios vividos no ano e escrevendo que “2026 será o ano da cura, da resiliência, da força e da coragem.”
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