Condenada a mais de 39 anos de prisão pela morte dos pais, Suzane von Richthofen pode receber a herança deixada pelo tio materno Miguel Abdalla Neto, de 76 anos, que foi encontrado morto na sexta-feira (9/1) em uma residência na zona sul de São Paulo. Especialistas avaliam que não há impedimento legal automático para que ela herde, caso não haja outros herdeiros.
A advogada Mérces da Silva Nunes, especialista em Direito de Família, Heranças e Negócios Familiares, afirma que “a indignidade sucessória reconhecida contra ela atinge apenas a herança dos pais, vítimas do crime, e não se estende a outros parentes”.
Além disso, Mérces aponta que o abandono do sobrenome – ela tem usado o nome Suzane Louise Magnani Muniz após o casamento com o médico Felipe Zecchini Muniz, com quem tem um filho – não interfere no direito sucessório.
“Ela só herdará se estiver na ordem de vocação hereditária (ausência de herdeiros mais próximos) ou se houver testamento que a beneficie”, explicou a advogada.
A advogada Vanessa Bispo, especialista em Direito de Família e Sucessões, Planejamento Patrimonial e Gestão de Conflitos, explica que Suzane e o irmão, Andreas – que foi aluno de Miguel – teriam direito em igualdade de condições, salvo situação contrária.
“Se Suzane e o irmão forem os parentes mais próximos do tio, terão direito à herança. Contudo, salvo melhor juízo, há notícias de que o tio, Miguel Abdalla Netto, havia manifestado desejo de que Suzane não recebesse nada de sua herança, e é possível que ele tenha deixado um testamento nesse sentido”, ponderou a especialista. “Caso não haja testamento em sentido contrário e nem impeditivo legal, a herança será, em princípio, partilhada entre Suzane e Andreas”.
Liberação do corpo
Suzane von Richthofen causou tumulto no 27º Distrito Policial (Campo Belo), na zona sul da capital paulista, no último sábado (10/1), ao reivindicar a liberação do corpo do tio.
Segundo fonte policial, a documentação havia sido iniciada por uma prima de Miguel. No entanto, Suzane tentou tomar a frente, sob o argumento de ter parentesco necessário para assumir os trâmites. Toda essa movimentação provocou atraso na finalização da papelada. Surpresos, policiais que estavam de plantão reconheceram Suzane.
Ainda conforme o relato, Suzane também foi ao IML tentar liberar o corpo do tio — que foi ex-inventariante do espólio e tutor de Andreas von Richthofen, filho mais novo do casal assassinado e irmão de Suzane.
Morte suspeita
Apesar de não haver sinais de violência ou indícios de crime, o boletim de ocorrência sobre o falecimento de Miguel Aballa, na rua Baronesa de Bela Vista, em Vila Congonhas, foi registrado como morte suspeita e é objeto de inquérito na delegacia, a mesma responsável pelo B.O. do assassinato dos pais de Suzane a mando dela, em outubro de 2002, crime executado pelos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos.
Ao longo das investigações sobre o assassinato dos pais, Suzane chegou a prestar depoimento no 27º DP ao menos duas vezes acompanhada do tio.
Tio de Suzane von Richthofen encontrado morto
- Tio materno de Suzane von Richthofen, Miguel Abdalla foi encontrado morto na sexta-feira (9/1).
- O corpo do homem, de 76 anos, foi localizado em Vila Congonhas, na zona sul de São Paulo.
- Segundo a apuração, um vizinho usou uma escada para olhar por cima do muro após Abdalla ficar dois dias sem dar notícias.
- A Polícia Militar (PM) informou que a causa da morte foi natural. Além disso, não havia sinais de arrombamento na porta.
- No sábado (10/1), o muro da casa amanheceu pichado com a frase: “Será que foi a Suzane?”. O escrito foi apagado nesta segunda-feira por um profissional que não quis falar.
Quem era o tio de Suzane von Richthofen
O médico Miguel Abdalla era tutor de Andreas, irmão de Suzane, e ex-inventariante dos bens de Marísia e Manfred Richthofen, assassinados em 2002 pelos irmãos Cravinhos, a mando da própria filha.
Em julho de 2005, após completar 18 anos, Andreas assumiu o lugar de Abdalla como inventariante, depois de Suzane solicitar o afastamento dele. No processo, ela alegou que o tio estava sonegando bens do espólio.
Em 2006, Abdalla acionou a Justiça para dizer que Suzane foi vista “rondando” a casa em que ele vivia com a mãe e Andreas. A informação levou a um pedido de prisão preventiva pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).
Suzane von Richthofen foi condenada a 39 anos e 6 meses de prisão por duplo homicídio triplamente qualificado. Atualmente, ela cumpre a pena em regime aberto desde janeiro de 2023.
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