Uma simples amostra de sangue poderá revolucionar a detecção e, consequentemente, o tratamento do câncer. Já utilizadas para orientar o tratamento personalizado, as chamadas biópsias líquidas passaram por melhorias recentes, com o desenvolvimento de agentes mais hábeis na identificação de “assinaturas” deixadas pelo tumor na corrente sanguínea. A expectativa de cientistas, que há mais de uma década trabalham com essa abordagem de diagnóstico, é que, em vez de remover tecidos dos pacientes, apenas uma furadinha na veia possa confirmar ou descartar a doença.
O número de casos de câncer, cujo dia mundial é lembrado hoje, acompanha o envelhecimento e o crescimento da população, e, nas estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), será 77% maior em 2050, comparado a 2022. Apesar dos avanços nas terapias, com aumento da sobrevida, a chave para o sucesso do tratamento é o diagnóstico precoce.
Os métodos diagnósticos atuais são precisos, mas, além de invasivos, falham, muitas vezes, em detectar a doença ainda no início. Em muitos casos, como o de pulmão, o tumor não dá sinais até que esteja grande demais para ser eliminado. Não à toa, esse é o tipo com maior mortalidade em todo o mundo.
Mas, silenciosamente, os tumores liberam DNA das células mortas na corrente sanguínea, por um breve período, antes de o material ser decomposto. O que os cientistas buscam são exames de sangue capazes de identificar o código genético do câncer.
“Uma possível aplicação da biópsia líquida é a de detecção precoce de tumores, ainda antes do mesmo se manifestar clinicamente ou nos exames de imagem”, explica a especialista em oncogenética e oncologia de precisão Andreza Souto, do Oncoclínicas Brasília. “O método seria utilizado para população sem diagnóstico de câncer, para tentar identificar fragmentos do DNA do tumor no sangue ainda em estágio muito inicial e que ainda não seria identificado por métodos tradicionais de rastreio”, destaca.
PARAÍBA DA GENTE
Com Correio Braziliense





















